<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679</id><updated>2012-02-16T16:55:39.694-08:00</updated><title type='text'>salomãosousa</title><subtitle type='html'>Aqui serão publicadas as entrevistas concedidas pelo poeta Salomão Sousa, e as resenhas, artigos, rodapés e rapapés publicados sobre a sua obra. Os comentários cotidianos de Salomão Sousa, sobre livros, filmes, comportamento social, poderão ser consultados no blog www.safraquebrada.blogspot.com</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>21</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-6461917039839761733</id><published>2010-09-29T19:06:00.000-07:00</published><updated>2010-09-29T19:06:06.986-07:00</updated><title type='text'>A POESIA DE SALOMÃO SOUSA</title><content type='html'>Geraldo Lima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em Silvânia, GO, em 1952, Salomão Sousa reside em Brasília desde 1971, onde exerce a profissão de jornalista. Já publicou vários livros de poesia, entre eles A moenda dos dias/O susto de viver (Ed. Civilização Brasileira, 1980); Criação de lodo, 1993, DF; Estoque de relâmpagos (Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária, 2002, DF); Ruínas ao Sol (Prêmio Goyaz de Poesia, Editora 7 Letras, 2006) etc.&lt;br /&gt;A poesia de Salomão Sousa, no livro Ruínas ao Sol, que apresento aqui, é marcada pelo rigor formal e pelo lirismo intenso. Desse modo, a carga racional que o poeta despende na elaboração dos poemas não esvazia a tensão do discurso que expõe as fraturas do ser. Ao contrário, amplia-a. Embora a presença da morte e de outros elementos negativos seja constante nesses poemas, o eu lírico não cessa de apontar para um futuro de vitórias: “as carnes prontas para a paz e a vitória/Para trás as esterqueiras da incerteza/e as ameaças das quadras da secura” (pág. 14).  Como bem assinalou o poeta Ronaldo Costa Fernandes, “... Ruínas ao sol é um livro em que a visão otimista se sobrepõe à visão derrotista”.&lt;br /&gt;Outro elemento a se destacar nesses poemas de Ruínas ao Sol é a presença de imagens que nos remetem ao ambiente rural, interiorano, criando um clima de bucolismo.  Mas não há nisso traço algum de provincianismo ou conservadorismo. A poesia de Salomão Sousa mescla o tom elevado, de extremo refinamento estético, com elementos prosaicos, cotidianos, como em “Não morram os gomos/no desalinho do chavascal/Venha o casco de uma mula/a boca de uma lebre” (pág. 47).  E é nisso que está contida a sua modernidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-6461917039839761733?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/6461917039839761733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=6461917039839761733' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/6461917039839761733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/6461917039839761733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2010/09/poesia-de-salomao-sousa.html' title='A POESIA DE SALOMÃO SOUSA'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-3474526944972030865</id><published>2009-02-03T17:08:00.000-08:00</published><updated>2009-02-03T17:10:08.600-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Carinhosa a resenha de Brasigóis Felício sobre o nosso livro Momento Crítico, publicado na revista Bula, editado na ambiência cibernética a partir de Goiânia. Em outro momento, Brasigóis, certamente os meus artigos estarão mais focados na literatura goiana, tão plena de grandes poetas (lembremos a sua poesia, a de Yêda Schmaltz, do Aidenor Aires, do Delermando Vieira, do Valdivino Braz, dos novos Marcos Caiado e Edmar Guimaraens. Também me surpreendeu a poesia de Carlos Willians.). A próxima resenha que quero fazer é do livro Caderno, de Edmar Guimaraens, mas queria fazer um contato com ele antes — mas ele é muito na moita. Mas ainda “arranco ele da moita”, para usar uma expressão bem goiana. Sou amigo destes poetas e desta poesia. E certamente José Godoy Garcia, Afonso Félix de Souza, Gilberto Mendonça Teles e Cora Coralina. Obrigado pela resenha “O perfume da memória e o ocaso da crítica”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveito para agradecer a resenha de Manoel Hygino no jornal  Hoje em Dia, de BH, também sobre o Momento Crítico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas resenhas estão postadas no meu blog salomaosousa.blogspot.com&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-3474526944972030865?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/3474526944972030865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=3474526944972030865' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/3474526944972030865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/3474526944972030865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2009/02/carinhosa-resenha-de-brasigois-felicio.html' title=''/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-708879257684654671</id><published>2009-02-03T16:49:00.000-08:00</published><updated>2009-02-03T16:50:21.872-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div class="capa-titulo"&gt;O perfume da memória  e o ocaso da crítica&lt;br /&gt;Revista Bula&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="capa-colunista"&gt;02/02/2009 | Por &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.revistabula.com/colunista/brasigois-felicio/4" title="colunistas" rel="tag"&gt;Brasigois Felício&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; em &lt;span class="capa-cat"&gt;&lt;a href="http://www.revistabula.com/secoes/colunistas/9" title="colunistas" rel="tag"&gt;colunistas&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Nos arrebaldes do Plano Piloto, em Taguatinga, Cidade Satélite, ainda moça brejeira e empoeirada, a mulher pública convida o poeta a fazer amor em um prostíbulo disfarçado em hotel. O literato e jornalista, recém-chegado, com a mala de papelão repleta de clássicos da literatura, tinha outra espécie de amor para dar, embora crendo, como na canção da MPB, que “toda maneira de amor vale a pena/toda maneira de amor valerá”. Assim, dispensou o “favor” amoroso, e agradece, pois vai de encontro a um amor mais geral. Assim proclama seu amor impessoal a seu tempo e à cidade que o acolhia, em seus primeiros vagidos. Saltando uma poça de lama, o poeta seguiu em frente, com suas esperanças e sonhos.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Foi ali o primeiro lugar onde morou, em sua diáspora rumo ao futuro literário. Sonhos que andou cultivando em pastoreio de nuvens, e na leitura dos clássicos, em sua pacata Silvânia. Lugar de sua família, onde aprendeu, com Carlos Drummond de Andrade, ser preciso “tecer um canto/que faço acordar os homens/e adormecer as crianças/”. Queria ter um caso de amor não com uma pessoa, mas com a humanidade (a sua e a de todas as pessoas). O poeta tinha um sonho, e precisava conquistar seu espaço de viver na cidade para onde chegavam brasileiros vindos de todos os lugares.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;“Há beleza e dignidade até mesmo nas pequenas redes de hotéis camuflados em prostíbulos”. Assim escreve Salomão Sousa, no belo  texto de abertura de seu livro “Momento crítico”. Poderíamos acrescentar que também há beleza nas áridas paisagens do nordeste semi-árido, onde sobrevive, em miséria social, um povo aguerrido e bravo (como o viu Euclides de Cunha).&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Povo sofrido, mas não miserável. E também beleza há na Amazônia, no dito “inferno verde”, e não apenas na via Ápia, como afirmou Joaquim Nabuco, praticando uma diplomacia às avessas, uma vez sabendo-se ser missão dos embaixadores e diplomatas em geral “mentirem honestamente em favor de seus países”, como ironizou Roberto Campos. No caso, Joaquim Nabuco mentiu desonestamente em desfavor do Brasil e de seu povo, que pagavam sua viagem de turismo diplomático. &lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Esta é uma das observações de fina ironia, que Salomão Sousa se permitiu fazer, em variados textos desta reunião de seu “Momento Crítico”, em que lemos crônicas de cunho ensaístico, e ensaios vazados em linguagem leve de cronista. Refere-se também o autor a Edgar Morin, que em recomendações para uma prática da educação contemporânea nos dia que a mesma deve fundar-se em quatro pilares: aprender a ser, a fazer, a viver juntos e a conhecer. S.S. assinala, no ensaio “É hora de detonar o egocentrismo”; “O indivíduo, ao pregar excessivamente a importância do Só Eu, contaminou a cultura como obrigação de seguir a política de incentivo ao egocentrismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torqueville, clássico pensador da Democracia já nos dizia, há 170 anos: “Existe um amor à pátria que tem a sua fonte única naquele sentimento irrefletido, desinteressado e indefinível, que liga o coração do Homem ao lar em que nasceu. Confunde-se este sentimento com o gosto pelos costumes antigos, com o respeito aos mais velhos e a lembrança do passado. Aqueles que o experimentam estimam o seu país com o amor que tem pela casa paterna”.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Talvez tenha faltado  amor à pátria ao senhor Joaquim Nabuco, ao valorizar de modo tão enfático a importância universal da Via Ápia, em detrimento das paisagens de sua pátria – coisa que Vinicius de Moraes fez ao contrário, e de modo magistral, em seu belo poema Saudades da minha Pátria.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quase na mesma linha de Torqueville vai Salomão Sousa, no texto de abertura de seu livro, em que evoca a perdida sensibilidade das pessoas (dos jovens em particular) em relação às flores, e às sensações físicas e emocionais que provocam – sensações que ainda vibram em sua memória, quando se põe a recordar passagens de sua infância e juventude, em Silvânia, cidade onde nasceu: “Quem não adquire memória pessoal das flores não estabelece liames para a compreensão da beleza e sua ligação com a cadeia evolutiva da vida. As flores existem para a sua ligação com a cadeia evolutiva da vida. As flores existem para que a harmonia se construa”.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Eu acrescento: e também para que não nos falte, em nossa trajetória existencial, o esplendor de reverdecer no verde, no deslumbrar-se ante a beleza de dos bichos e plantas, nos cantos de muros de mundo, e nos quintais da fraternura e da inocência: “Ao nos aproximarmos para apanhar água, víamos, do outro lado da bica, a moita de açucenas e corolas vermelhas, com os milhares de pistilos atraindo os marimbondos e as abelhas arapuás. (...) As açucenas ainda alimentam as lembranças, numa manhã sem mãe e sem mulher alguma outra mulher que, durante as viagens, engrandeça  o dia com os nomes de flores, ou com centenas de pistilos novos que possam animar a vida”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito a ler e a admirar, a deleitar mesmo, nesta coletânea de textos críticos do poeta e jornalista Salomão Sousa, que há anos reside e trabalha em Brasília. Ali, mesmo tendo que despedaçar as pedras do caminho, ocupou espaços na poesia e na crítica, agradando a muitos, e desgostando a uns poucos, com o ferrão de seu chuço de menino carreiro que foi, sem ter sido.&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Grande parte de seus textos reporta-se a livros, personalidades culturais da capital federal – mas não faltam reflexões interessantes sobre a poesia goiana, ou ponderações de grande profundidade e perspicácia, como no longo texto intitulado “Reflexões desconexas sobre comportamento cultural”. Neste texto Salomão Sousa atira em muitas direções, focando os caminhos da poesia brasileira, ou sobre a própria crítica, que deixou de ser um caso para entrar em ocaso. Tão invisível em sua precária existência, que sequer chegou a ser caso de polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tal ocaso ocorre em face da moderna decadência cultural por que passamos, nesta era cibernética em que tudo é virtual, em segundos se esfuma no ar da evanescente e arrogante modernidade, muitas vezes vazia e sem caminhos. Salomão discute longamente causas e coisas do boom da poesia brasileira, a partir de 1997, passando pela fase em que “ o poema passou a representar respiração apenas para o poeta”. Passa Salomão Sousa à crítica da crítica: “O crítico não quer mais valorizar a obra que está sob seu foco, mas sim aniquilá-la, esquecendo-se que o ato de criticar é paralelo ao de criar”.   &lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-708879257684654671?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/708879257684654671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=708879257684654671' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/708879257684654671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/708879257684654671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2009/02/o-perfume-da-memoria-e-o-ocaso-da.html' title=''/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-3561085632162630589</id><published>2009-02-03T16:48:00.001-08:00</published><updated>2009-02-03T16:48:55.616-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;                         &lt;p class="titulo-noticia"&gt;A nova                      geração&lt;/p&gt;&lt;p class="titulo-noticia"&gt;Manoel Hygino&lt;/p&gt;&lt;p class="titulo-noticia"&gt;Hoje em Dia, edição de 13 de janeiro de 2009&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;                                                   &lt;p class="texto-noticia-clicada"&gt;Pela Thesaurus,                    de Brasília, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura do                    Distrito Federal, através do Fundo de Arte e de Cultura,                    lançou-se, quase no ocaso de 2008, “Momento crítico”, de                    Salomão Sousa. É livro para se ler e meditar. Nada mais útil.                    Nascido em Silvânia, Goiás, em 1952, formado em jornalismo,                    pela CEUB, Salomão exerce a profissão. O início foi na poesia,                    a que se dedica, enquanto avança como personalidade em outros                    gêneros. O novo livro contém artigos, crônicas, ensaios, em                    que focaliza fatos e personagens, expõe pontos-de-vista e,                    acima de tudo, convida o leitor à reflexão sobre problemas de                    antes, mas principalmente os de nosso desengonçado tempo.&lt;br /&gt;O                    autor é um apaixonado pela natureza, não digo “encantado”,                    porque, depois de Guimarães Rosa, a palavra adquiriu nova                    acepção. “A memória das flores contribui, sobretudo, para o                    entendimento dos processos de reprodução, e dos engenhos                    misteriosos da formação da cultura. Quem não adquire memória                    pessoal das flores não estabelece liames para compreensão da                    beleza e de sua ligação com a cadeia evolutiva da vida. As                    flores existem para que a harmonia se construa. Só há harmonia                    quando existe a possibilidade da perpetualidade”.&lt;br /&gt;Pois                    Salomão Sousa expõe e discute o problema da evolução                    tecnológica no campo das comunicações. Observa que, criado em                    2004, o Orkut já conta com dez ou vinte milhões em uma                    comunidade, que cresce a todo dia. Em 2005, 74,37% eram de                    brasileiros, com 18 a 25 anos de idade, contabilizados os                    menores de idade, não quantificados. O escritor não é contra o                    Orkut, pois “de imediato o sistema não merece condenação                    sumária. Deve ser estudado para que fiquem mais previsíveis as                    suas conseqüências e para divulgação dos malefícios                    reconhecidos. Primeiramente, o Orkut favorece a comunicação e                    a visibilidade de grupos de amigos, inclusive para ordená-los,                    pois todo mundo localiza todo mundo. Além disso, contribui                    para que eles disseminem seus interesses”&lt;br /&gt;À primeira vista,                    parece um instrumento valiosíssimo, e o é, se considerados os                    aspectos apenas positivos, porque há senões e desvios. O                    usuário se torna parte da própria máquina, tornando-se dela                    instrumento, e toda máquina, como a Internet, é burra. Para                    Salomão Sousa, o Orkut afeta o raciocínio, a linguagem e a                    memória. “Quem usa o Orkut - ou ferramentas idênticas - nem                    sempre ordena o pensamento, e adota a linguagem peculiar                    gerada pelo uso do sistema, que disfarça a obrigatoriedade de                    elegância, e de correção gramatical e lingüística, ou de                    postura ética”.&lt;br /&gt;É questão grave, a se avaliar. O operador                    do sistema não cuida de zelar pela boa linguagem, pelo                    respeito a normas elementares de conduta pessoal, que podem                    conduzir a conseqüências condenáveis e inaceitáveis. Enquanto                    se dedica ao contato na máquina, o cidadão se desliga da vida,                    das imposições de deveres e cultivo de direitos, aliena-se.                    &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-3561085632162630589?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/3561085632162630589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=3561085632162630589' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/3561085632162630589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/3561085632162630589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2009/02/nova-geracao-manoel-hygino-hoje-em-dia.html' title=''/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-4541594962807285360</id><published>2008-09-15T17:37:00.000-07:00</published><updated>2008-09-15T17:45:00.563-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Abaixo, a apresentação de minha autoria, para a antologia DESTE PLANALTO CENTRAL - POETAS DE BRASÍLIA, com patrocínio do FAC/Câmara do Livro do Distrito Federal, para a I Bienal Internacional de Poesia, da Biblioteca Nacional de Brasília:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Argumentos do Organizador&lt;br /&gt;Salomão Sousa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;“Deste planalto central, desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais um vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada com fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino.”&lt;br /&gt;Juscelino Kubitschek&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Esta coletânea, que abriga expressões da poesia brasiliense — atuantes nesta antevéspera do cinquentenário da Capital —, é item da programação da I Bienal Internacional de Brasília, promovida pela Biblioteca Nacional de Brasília.&lt;br /&gt;O organizador acalentava há mais de quinze anos o desejo de agrupar num único volume aqueles poetas que contribuem com têmpera pessoal para a edificação da poesia da sociedade cultural no Planalto Central. O convite da Biblioteca Nacional de Brasília concretiza este desejo.&lt;br /&gt;Ainda é cedo para o antevisto amanhã do profético discurso de Juscelino Kubitschek, mas numa velocidade elétrica — com argamassa de sangue e sonho de arquitetos, escritores, músicos… — forja-se com arrojo não só a certeza da centralização de decisões políticas e da abertura de frentes econômicas, mas forja-se também a certeza da necessária irradiação de cultura. Com a nova Capital ficou aberta a possibilidade de melhor miscigenação cultural da população mais a oeste do país. Ao elevar-se como símbolo da modernidade frente a todas as nações, Brasília extinguiu o conceito de província, que causou malefícios a tantos criadores não só em razão do preconceito, mas sobretudo pela ausência de redes de formação e de divulgação. Desse projeto, os poetas brasilienses têm sobressaído em antologias estrangeiras e nacionais, à medida que os anos passam, numa representatividade crescente. Basta ver o número deles na Antologia Comentada da Poesia Brasileira no Século 21 (Publifolha, 2006) e na Antologia Comentada de Literatura Brasileira (Vozes, 2006).&lt;br /&gt;Por se tratar de sociedade nascente, ainda são raros os poetas brasilienses naturais. Pelo que está coletado neste volume — transcorridos quase 50 anos da inauguração de Brasília —, constata-se que apenas um, numa totalidade de cinqüenta poetas, nasceu na cidade. Portanto, é cedo para a arte de Brasília admitir qualquer tombamento ou cerca limitadora, pois junto com a cidade, ainda está em processo a dinâmica de ampliação dos limites dos próprios recursos humanos e criativos.&lt;br /&gt;A condição de estrangeiro dos poetas brasilienses não é desalentadora. Primeiramente, ela corresponde à situação idêntica vivida pelos que atuam em outras instâncias. Assim como a árvore transplantada — conforme comprova a ciência —, os poetas se ajustam a esse solo, dele retiram elementos de sobrevivência e de construção simbólica, e a esse solo transferem características inseminadoras de novas fertilidades, contribuindo para o surgimento de uma vistosa Babilônia da modernidade. Essa troca de fertilidade não é de agora — desde a demarcação do Distrito Federal que se tem registro de poetas no território abrindo clareiras, armazenando metáforas da construção… Com essa troca leal, os poetas dão face à cultura de Brasília, e na história da cidade cinzelam suas efígies pessoais.&lt;br /&gt;A presença do corpo diplomático, dos tribunais, das casas legislativas, das universidades — de todo o arcabouço administrativo a exigir presença de homens e mulheres íntimos da interpretação cultural e política — favoreceu o rápido florescimento da literatura em Brasília. Assim, após a arquitetura, a poesia foi o segmento criativo que melhor vem se aclimatando às vastidões do Planalto Central, e se afirma como um dos segmentos da literatura de maior expressão na região. Outros segmentos aparecem através de booms temporários, enquanto a poesia se preocupa em encontrar dinâmica evolutiva.&lt;br /&gt;Como alternativa para enfrentar o distanciamento do mercado editorial, bem como do incipiente processo crítico — já que Brasília demora a produzir crítica cultural, pois os meios de comunicação aqui se instalam para produzir crítica política — e para demarcar, de forma coesa, a presença na cidade, os poetas brasilienses sempre buscaram se afirmar de forma organizada em entidades culturais e em antologias. A primeira antologia de Joanyr de Oliveira, de 1962, empresta cinco nomes para a presente coletânea. De lá para cá, são dezenas de antologias — consorciadas, temáticas, marginais, poetas agrupados por entidade, por repartição pública, por cidades-satélites…&lt;br /&gt;Inútil a construção de argumentos para justificar ausências de poetas nesta coletânea. Ou a abertura das preferências do organizador, pois elas nem sempre irão coincidir com a multiplicidade dos olhares críticos — mesmo quando manifestamente benfazejos. Independente da linguagem de cada autor, esta coletânea busca apreender poetas de todas as fases e grupos de escritores de Brasília, considerando desde aqueles que circulavam aqui entre 1956 e 1958, até os que atuam na Capital no advento de seu cinqüentenário.&lt;br /&gt;Seria injusto se não fosse oferecida prioridade, no processo de escolha, aos poetas residentes na cidade, preferencialmente àqueles que entrelaçam suas raízes para maior fixação numa nova territorialidade. Foram raríssimas, mas necessárias ao olhar do organizador, exceções àqueles que, mesmo fora, continuam a emprestar parcerias em ramificações que contribuem para ampliar a vitalidade da cultura brasiliense.&lt;br /&gt;Para evitar preterições de justificado questionamento, o material de vários poetas foi recolhido após a busca em fundos abandonos. Foi constatado que em Brasília os poetas guardam riquíssimo material inédito, prontos para edição, ou que se encontra em elaboração (há exigência urgente de projeto capaz de trazer à luz a obra que muitos poetas ativos têm produzido, e também o que sabidamente foi deixado inédito por Altino Caixeta de Castro, Esmerino Magalhães Jr., Fernando Mendes Vianna e Otávio Afonso). Alguma aura de invisibilidade — já que é incipiente o processo de avaliação dos escritores de Brasília — pode ter prejudicado a avaliação de algum autor. No entanto, sem o corpo-a-corpo crítico — é oportuno reconhecer — não há a troca entre terra e raízes, ou mesmo sem entrecruzar de genes na boa sementeira. Em que pese toda secura com que é tratado, o poeta não pode se recolher — tem de insistir com a sua fertilidade, trazê-la para a rua. Nem tudo pode acontecer só no antevisto amanhã.&lt;br /&gt;É natural que a coletânea não consiga abrigar todos os poetas expressivos que passaram ou que continuam em Brasília. Além do merecimento natural de suas obras, o organizador recebeu de várias frentes a indicação dos seguintes nomes: Adalberto Müller, Ana Ramiro, Alphonsus de Guimaraens Filho, Donaldo Mello, Elizabeth Hazin, Ézio Macedo Ribeiro, Fernando Marques, Gustavo Dourado, Márcio Catunda, Reivaldo Vinas, Sérgio Muylaert, Valdir de Aquino Ximenes e Villi S. Andersen. Talvez poucos se lembrem de Anito Steinbach — mestre em Taguatinga e também do corpo diplomático do Itamarati —, que publicou poemas de rara condensação, quase de hai-kai. Esta lista suscitará a lembrança de muitas outras ausências, sedimentando a certeza da impossibilidade de esgotar a totalidade daqueles que fortalecem a história inicial da literatura de Brasília. Ainda há que mencionar aqueles de outras áreas que incursionam pela poesia com rara soberba, também meritoriamente recomendados, tais como Affonso Heliodoro, Alan Viggiano, Emanuel Medeiros Vieira, Flávio Kothe, Guido Heleno, Joilson Portocalvo, Napoleão Valadares, Paulo Bertran e Stela Maris Resende. Muitas outras listas de ausentes poderiam ser construídas — basta dizer que de muitas antologias não foi sacado nenhum nome para aqui figurar.&lt;br /&gt;Para não diminuir a representatividade dos poetas que se encontram em atividade, a coletânea não contempla aqueles que já faleceram — por si sós, seriam suficientes para volume ainda mais caudaloso. Na primeira fase do levantamento dos nomes que poderiam figurar na coletânea, treze deles chegaram a ser relacionados. Sem necessidade de contratação de consultoria crítica para avaliá-los, acrescentariam mérito a qualquer antologia nacional ou estrangeira — ainda mais a uma regional: Altino Caixeta de Castro, Afonso Félix de Sousa, Antonio Roberval Miketen, Cassiano Nunes, Domingos Carvalho da Silva, Esmerino Magalhães Jr., Fernando Mendes Vianna, Jesus Barros Boquady, José Godoy Garcia, José Hélder de Souza, Yolanda Jordão, Marly de Oliveira e Oswaldino Marques. Como faleceram após desencadeado o processo de organização da coletânea, foram mantidas as presenças de Otávio Afonso, que foi o segundo poeta brasileiro “a levar” o Prêmio Casa de Las Américas, pois o primeiro “a trazer” este prêmio para o Brasil foi Pedro Tierra (também aqui presente), e H. Dobal, que, além de poeta aclamado, muita contribuição deixou na esfera administrativa de Brasília.&lt;br /&gt;O organizador pretendia que a formação da poesia de Brasília fosse apresentada na ótica de cada participante. Mas, por dificuldade de coletar o material, merecem destaque as justas observações de José Edson dos Santos:&lt;br /&gt;A formação do contexto histórico-cultural da práxis poética em Brasília passa certamente pela iniciativa desbravadora de Joanyr de Oliveira de reunir em 1962, na antologia Poetas em Brasília, nomes expressivos como Afonso Félix de Sousa, Alphonsus de Guimaraens Filho, Anderson Braga Horta, Ézio Pires, José Santiago Naud, entre outros. Nos anos setenta, outras manifestações poéticas coletivas como Águas Emendadas, com Francisco Alvim, Carlos Saldanha, Luis Martins, Chico Dias; Em Canto Cerrado, organizada por Salomão Sousa. As edições dos 8, 16, 20 e 27 POrrETAS, reunidas por César Athayde. A revista Grande Circular, a Lira Pau Brasília, com Turiba, Nicolas Behr, Paulo Tovar, Sóter, visitando escolas no início dos anos 80. A Livraria Galilei com os lançamentos e divulgação de livros e antologias que marcaram a iniciação de muitos poetas. A Feira do Livro também teve um papel relevante no surgimento de novos poetas, nas interações dos saraus pelos bares e cafés da cidade. Outras iniciativas e projetos alternativos ficaram no limbo do esquecimento. Trabalhos de mestrado como O Cristal e a Chama (A Linguagem Literária que Traduz o Objeto Brasília), de Maria da Glória Barbosa, e Poesia de Brasília: Duas Tendências, de José Roberto de Almeida Pinto, vêm de certa forma contribuir e resgatar esse espaço de atuação nas áreas da cultura e da poesia desenvolvidas em Brasília.&lt;br /&gt;Realmente, o estudo de José Roberto de Almeida Pinto — que toma por eixo a Poesia Marginal — merece ser reconhecido como aquele que melhor organiza os primeiros movimentos da poesia de Brasília. Não podem passar despercebidos os livros História da Literatura Brasiliense, de Luiz Carlos Guimarães da Costa, que — apesar da falta de sistematização historiográfica — focaliza alguns escritores de preferência do autor; e Depoimento Literário, Julgamento de Liberdade e Literatura na Criação de Brasília, de Ézio Pires, que reúne artigos e notas do autor sobre os primeiros passos da literatura brasiliense. Somam-se a esses livros os dois volumes de artigos, resenhas e palestras de Anderson Braga Horta. A literatura de Brasília — sem desmerecer esses esforços iniciais — já merece estudo de visão interpretativa e de melhor estrutura historiográfica. Quanto às publicações seriadas — em que pese a existência do Boletim da ANE, das revistas da Academia Brasiliense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, Há Vagas e DF Letras —, destaca-se de forma isolada a revista Bric-a-Brac, que inverteu o viés do processo criativo.&lt;br /&gt;Contudo, as aproximações com as vanguardas, promovidas pela revista Bric-a-Brac, foram insuficientes para mudanças significativas nos rumos da poesia de Brasília. Para compreender o entendimento pessoal do poeta sobre a vida na Capital, talvez pudesse ser dramatizado o momento da chegada de alguns deles. Poderia, por exemplo, ser relembrada a primeira noite de determinado poeta numa cidade-satélite, quando andou chapinhando nas poças de lama. Para ele, a primeira lua em Brasília estava enlameada. Para muitos, a qualquer momento, a porta podia ser arrebentada pela força da repressão. O poeta, então, não tinha tempo para práxis e processos — tinha de construir com lama e resistência.&lt;br /&gt;Há um pequeno poema de Lourdes Teodoro que remete ao período em que a Ditadura fazia (re)percutir dentro dos lares brasileiros o ruído de seu torniquete, chamado “Oração do Mutilado”, que pode ser interpretado como o apagar-se da esperança ou ao elevar-se da construção onde antes era o verde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o verde em mim&lt;br /&gt;é um remoto ponto escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembremos também o poema sem título, de Esmerino Magalhães Jr., que foi recitado em diversos momentos de protesto realizados em Brasília:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O SARGENTO QUE MATOU GARCIA LORCA&lt;br /&gt;está sentado. A mão direita de seu padre&lt;br /&gt;todo-poderoso na aldeia acena-lhe da porta&lt;br /&gt;da igreja. Corpo ainda modorrento do catre,&lt;br /&gt;levanta-se, pensando no que mais importa:&lt;br /&gt;à tarde, ao vinho, virá o melhor alcatre.&lt;br /&gt;O sargento que matou Garcia Lorca&lt;br /&gt;vai à missa domingueira e genuflexo&lt;br /&gt;é o herói da aldeia. A legenda nunca morta&lt;br /&gt;revive nos serões, nas tascas: três balas no plexo,&lt;br /&gt;sem ao menos tremer de leve os dedos,&lt;br /&gt;dono e senhor dos seus e outros medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sargento que matou Garcia Lorca&lt;br /&gt;é um velho forte, alto, e na taverna&lt;br /&gt;mais cresce ainda quando o vinho emborca,&lt;br /&gt;contando história antiga aos outros da caterva&lt;br /&gt;(o moço efeminado, trêmulo, de gelo),&lt;br /&gt;quando viril, com seu fuzil e o zelo,&lt;br /&gt;matou de vez a consciência porca&lt;br /&gt;do sargento que matou Garcia Lorca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além de estudar a poesia brasiliense, José Roberto de Almeida Pinto também é poeta expressivo. Publicou apenas um livro de poemas até o momento, mas, pela maneira peculiar de sentir e interpretar a cidade, a sua poesia é marcante na evolução da literatura de Brasília:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REMORSO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta Brasília, calada&lt;br /&gt;nesta sala assexuada&lt;br /&gt;Nesta hora desgraçada&lt;br /&gt;Eu sou somente remorso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aço preto na testa,&lt;br /&gt;Acre sertão na garganta,&lt;br /&gt;Resina de esgoto nos olhos,&lt;br /&gt;Eu não sou mais que remorso.&lt;br /&gt;Eu não sou mais que a vontade de sair correndo&lt;br /&gt;estraçalhar a cara no primeiro poste, o homem&lt;br /&gt;que um dia sonhou ser bom, a besta&lt;br /&gt;que quer fugir e não pode&lt;br /&gt;que quer berrar e não pode&lt;br /&gt;que quer, meu Deus, ser perdoado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta véspera de sábado&lt;br /&gt;Nesta Brasília silente&lt;br /&gt;Há festas, boates, mulheres.&lt;br /&gt;Roendo osso, remorso&lt;br /&gt;Nesta sala indiferente.&lt;br /&gt;Nesta hora desgraçada&lt;br /&gt;Há somente o homem em face de si mesmo e náusea&lt;br /&gt;O homem finalmente em face de si mesmo&lt;br /&gt;O atônito covarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Roberto de Almeida Pinto demonstra neste poema que Brasília não é uma cidade só para glórias, onde só se louva, mas é onde também se vive e se acovarda. A poesia acompanha todos os passos da civilização — tanto em seus momentos de heroísmo quanto de derrocadas. Outras razões ainda favorecem o destaque para o poema de José Roberto de Almeida Pinto. Traz temática que faz lembrar ao indivíduo egocêntrico da pós-modernidade que a humanidade se constrói com laços frágeis, de rigorosa humildade e generosidade. Todo comportamento egocêntrico e de excesso da valorização do “eu” é ausência de poesia.&lt;br /&gt;A metáfora de resistência está em repouso na poesia brasileira, inclusive em Brasília. Ainda não são significativos os experimentos na poesia brasiliense, excetuando parte da obra de Altino Caixeta de Castro, Da Nirham Eros (pseudônimo de Antonio Miranda), e Hugo Mund Jr., mas serão favorecidos com o ordenamento dos aspectos político-econômicos da cidade — cabendo, portanto, estudo para levantar as experiências raras com poesia visual ocorridas na Capital. A poesia de resistência se dá quando a vida está ameaçada; e, a poesia de experimentação, quando evolução das estruturas liberam os poetas das preocupações sócio-políticas. À medida que as estruturas de Brasília se completam, os poetas poderão melhor se debruçar em pesquisas das tendências da modernidade “e sair desse imbróglio do poder”, conforme expressa Heitor Humberto de Andrade. Brasília tem de deixar de ser vista como um elemento de malefício ou de redenção nacional para se transformar num organismo que se completa em si mesmo, em seus aspectos políticos, econômicos e culturais. O organismo que se realiza em si mesmo é o que melhor contribui com aqueles que estão fora dele.&lt;br /&gt;A Poesia Marginal — o único movimento legítimo da poesia de Brasília — resistia ao momento político e ao conservadorismo ou de experimentos que esvaziavam o discurso poético. Era uma busca de contato corporal com a palavra e com a cidade. Vencido este momento — não há como desconhecer —, os poetas brasilienses ainda se ajustam às incertezas dos segmentos de pós-vanguarda que vive a poesia, procurando aos poucos a eles se integrar.&lt;br /&gt;É o esforço para criar identidade e definir linguagens que dá excelência à poesia brasiliense. Aos poetas, então, cabe louvar a crescente inserção neste projeto de transformar Brasília num organismo autônomo, e estimulá-los com valorização crítica para que sejam motivados a seguir em busca de novas linguagens, já que a poesia, para não apodrecer, não pode ficar estancada sempre nos mesmos limites.&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Brasília, 10 de junho de 2008&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Relação dos Poetas da Antologia:&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;Afonso Henriques Neto&lt;br /&gt;Aglaia Souza&lt;br /&gt;Alexandre Marino&lt;br /&gt;Alexandre Pilati&lt;br /&gt;Álvaro Faleiros&lt;br /&gt;Amneres&lt;br /&gt;Anderson Braga Horta&lt;br /&gt;Angélica Torres&lt;br /&gt;Antonio Carlos Osorio&lt;br /&gt;Antonio Miranda&lt;br /&gt;Astrid Cabral&lt;br /&gt;Chico Pôrto&lt;br /&gt;Cláudio Murilo Leal&lt;br /&gt;Cristina Bastos&lt;br /&gt;Eudoro Augusto&lt;br /&gt;Ézio Pires&lt;br /&gt;Francisco Alvim&lt;br /&gt;Francisco Kaq&lt;br /&gt;H. Dobal&lt;br /&gt;Heitor Humberto de Andrade &lt;br /&gt;Hermenegildo Bastos&lt;br /&gt;Hugo Mund Junior&lt;br /&gt;Joanyr de Oliveira&lt;br /&gt;João Bosco Bomfim&lt;br /&gt;João Carlos Taveira&lt;br /&gt;José Edson dos Santos&lt;br /&gt;Josira Sampaio&lt;br /&gt;José Carlos Pereira Peliano&lt;br /&gt;José Santiago Naud&lt;br /&gt;Julio Cezar Meirelles&lt;br /&gt;Lina Tâmega Peixoto&lt;br /&gt;Lourdes Teodoro&lt;br /&gt;Luiz Martins da Silva&lt;br /&gt;Luis Turiba&lt;br /&gt;Menezes y Moraes&lt;br /&gt;Nelson Carvalho&lt;br /&gt;Nilto Maciel&lt;br /&gt;Nicolas Behr&lt;br /&gt;Otávio Afonso&lt;br /&gt;Pedro Tierra (Hamilton Pereira)&lt;br /&gt;Reynaldo Jardim&lt;br /&gt;Robson Corrêa de Araújo&lt;br /&gt;Ronaldo Cagiano&lt;br /&gt;Ronaldo Costa Fernandes&lt;br /&gt;Salomão Sousa&lt;br /&gt;Sylvia Cyntrão&lt;br /&gt;TT Catalão&lt;br /&gt;Vera Americano&lt;br /&gt;Viriato Gaspar&lt;br /&gt;Wilson Pereira&lt;br /&gt;Xenïa Antunes&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-4541594962807285360?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/4541594962807285360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=4541594962807285360' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/4541594962807285360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/4541594962807285360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2008/09/abaixo-apresentao-de-minha-autoria-para.html' title=''/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-3804062860557541109</id><published>2008-07-16T17:39:00.000-07:00</published><updated>2008-07-16T17:48:53.605-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 14pt;"&gt;Entrevista realizada no dia 30 de maio de 2008, às 18h20m&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;br /&gt;Salomão: "Alô Yuri, boa sorte pra você né, tô te vendo na história."&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Yuri: Bem, a entrevista então, é baseada na sua história de vida, em toda a trajetória que você teve, não só como pessoa como também como escritor, as suas visões sobre a literatura brasiliense, como você se vê inserido, tantas questões que dizem respeito basicamente à história da literatura brasiliense e a sua própria história. Então, eu pediria que você começasse com o seu nome completo, apelido, todas as informações que façam as pessoas se identificarem com você, informações sobre você.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Salomão: Muito bem Yuri, então comecemos pelas origens, eu sou goiano, então, essa é a grande dificuldade da literatura de Brasília, pra formar sua identidade, porque, como se trata de uma cidade muito nova, então 98 por cento, 96 por cento, isso é um dado legítimo. Então 96 por cento dos escritores da cidade, ainda não são originários daqui, eles não nasceram aqui, e eu estou entre esses que vieram de fora. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Então eu sou goiano de Silvânia, nasci na zona rural, vivi na zona rural até os 12 anos, fui pra Silvânia, nessa cidade pequena que é aqui próximo, cerca de 170 quilômetros. Fiz o meu primeiro grau, até a oitava série, quando concluí, já atrasado, porque naquele período a formação era sempre muito atrasada. Você terminava o primeiro grau já tava com quase vinte anos, não era tão acelerado como é hoje. Então enquanto a juventude hoje está se formando com 20 anos na faculdade eu estava terminando o segundo grau, então eu fui fazer faculdade aqui em Brasília. Eu fui entrar na faculdade já tava com quase 23 anos, então era muito difícil naquela época, esse acesso à cultura. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Então eu já comecei a escrever em Silvânia, um contato já com a literatura daquele período, eu sempre gostei muito de ler, e foi inclusive o que me salvou, o que me deu essa possibilidade pra vir pra Brasília. Como era uma região de muito analfabetismo e tudo, as pessoas se admiravam de ter aquele jovem lendo, participando, escrevendo, e a própria família abriu espaço para que eu viesse pra Brasília. E em 1971, concluído o ginasial, eu vim morar em Taguatinga, que naquela época ainda era quase toda de tábua, em 71, com um padrinho, que me abriu essa possibilidade de vir pra cá, eu não tinha emprego, não tinha dinheiro, meu pai estava doente, de doença de chagas. Inclusive viria a falecer logo em seguida, minha família muito pobre, minha mãe até passou muita dificuldade naquela região, e tive que enfrentar tudo isso aqui com muita dificuldade. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Você não tinha pessoas pra te apoiar, você não tinha acesso a quem pudesse te arrumar emprego, então foi uma luta muito difícil, então eu demorei quase dois anos para arrumar emprego e tudo, fiquei morando em Taguatinga, onde fiz o segundo grau, num colégio de Taguatinga Sul, e continuando esse interesse pela literatura. Então eu tive, eu fui aluno da Dad Abchaini, que é essa que trabalha no Correio Braziliense, que cuida da parte de português. Então eu tive uma boa formação, assim como eu também tive em Silvânia, eu estudei em colégio de padres salesianos, que tinham muito boas formações, então eu já vim com uma boa formação de Silvânia. E como eu tive dois professores de português, quando você é escritor você se preocupa mais com o português, então eu tive a Dad Abchaini e tive um outro professor também que era poeta, e que hoje tá no Sul, trabalhando em escola, que foi o (inaudível).&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Então foram dois que contribuíram imensamente pra melhorar a minha visão sobre literatura, as minhas orientações sobre literatura. Então, antes de passar para a outra fase, antes de ir para outros lugares, completar as informações, meu nome completo é Salomão Miguel de Sousa. Eu nunca usei um peseudônimo, assim, um pseudônimo que mudasse esse nome, eu só cortei o Miguel e o de, então ficou, eu sempre usei Salomão Sousa, em tudo o que eu escrevi, desde os meus primeiros escritos, ainda em Silvânia, eu sempre usei esse nome, eu nunca assinei com outro pseudônimo. Nasci em 1952, é um ano que eu gosto muitíssimo, é o ano de lançamento de um dos livros revolucionários da literatura brasileira, que foi Invenção de Orfeu, do Jorge Lima, eu acho extraordinário ter nascido no mesmo ano de sua publicação. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Outra situação também que prejudica a minha situação, não só de vir de uma sociedade goiana quase medieval, sem cultura, com culturas muito antigas, eu participei de situações de muita dificuldade, porque era muita primitiva essa cultura. É uma sociedade que sequer tem livros nas casas, não tem música, então o goiano é agora que tá começando a introduzir isso no seio da família. Então enquanto outros estavam com cultura dentro de casa e tudo, eu não tinha nada disso, eu tinha que procurar fora, então ainda é uma das grandes dificuldades da cultura brasileira é não ter cultura em casa. Você comprar cultura hoje você é inclusive motivo de gozação, você gastar dinheiro com livros, então nós temos que mudar essa concepção pra facilitar a formação do indivíduo. Então a minha formação foi prejudicada por isso, porque você demora, então eu fui imensamente prejudicado, atrasado, uma formação atrasada, porque com 23 anos os românticos estavam morrendo, deixando obras, e eu ainda tava terminando a minha formação, procurando caminho, uma aprendizagem para poder escrever. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Então eu nasci em 52, aí fui entrar na faculdade, quando vim pra Brasília em 71, com 19 anos, fui entrar na faculdade em 73 mais ou menos, já com 21 anos, 22 anos, aí que possibilitou um pouco mais de abertura, de compreensão maior do processo da literatura. Aí que eu fui ter um pouco de contato maior com a literatura, inclusive de Brasília, as participações, a melhor participação na literatura de Brasília. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Eu fiz jornalismo no CEUB, e pagando a minha faculdade inclusive, porque naquele período não tinha nem como fazer universidade pública, não tinha ninguém pra me bancar. A sorte é que em 73 você ganhando 2 salários mínimos era possível pagar a faculdade, coisa que hoje em dia é inimaginável, porque o ensino no Brasil é inviável, é elitizante. O indivíduo de uma classe menor tem uma dificuldade enorme de fazer a sua faculdade, e isso tudo prejudica a cultura, não só a de Brasília como a do país inteiro. Porque se o indivíduo não tem acesso a um poder econômico, não tem acesso a uma formação, é claro que vai escrever menos, vai ter uma compreensão menor da poesia. Por isso que lê tão pouca poesia, porque, acho que para gostar dela você tem que ter intimidade com ela, literatura você tem que ter intimidade com ela. Como é que você vai ter essa intimidade com ela se você não convive com ela? Então você tem que ouvir na faculdade, mas o indivíduo ta aí sem dinheiro, não pode comprar livro, não pode ter formação. Então é uma grande, inverte as questões de valores, tudo isso vai tendo essa grande dificuldade. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Mas eu já era apaixonado por tudo isso, então por espontaneidade, não quer dizer que alguém me trouxe isso não, eu tive que ir atrás e colocar isso na mão. Todo dia que eu fui ler, que eu fui atrás, não quer dizer que estivesse dentro de uma casa que eu chegasse que tivesse livro, então tinha que ir atrás pra conseguir essas coisas. E aí quando eu fui fazer a faculdade, essa proximidade dos escritores no meio acadêmico também me ajudou imensamente. Porque aí já tinha outros escritores no CEUB também, como o Luiz Beltrão, a Zita Andrade, que foram meus professores, e que possibilitou também a abertura, porque através deles eu já tive acesso à Associação Nacional de Escritores. Apesar de eu não ter livro publicado eu passei a freqüentar a Associação de Escritores, eu ia lá jovem ainda, sentava ali e ficava ouvindo todo mundo, aí conheci aqui de Brasília a Associação Nacional de Escritores, eu ficava ali junto com os escritores. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Já em 76 pra frente eu passei a freqüentar a Associação Nacional dos Escritores como ouvinte, aí eu já tinha dois grandes amigos, que passamos a publicar livros mimeografados. Se bem que eu não sou considerado da geração mimeógrafo, apesar de ter publicado livros mimeografados, porque eu não participei, como eu trabalhava, não era assim parecendo um hippie, de estar dentro de bares e tal, eu não sou considerado da geração mimeógrafo. Porque a geração mimeógrafo ela tá também associada a um comportamento, então como eu trabalhava, estava numa outra rotina, que vendia menos livros, eu vendia dentro do serviço público, em outros meios, sem ser bares e tudo, então eu estou fora da geração mimeografa. E eu também não estava preocupado em escrever como a geração mimeógrafa, eu estava ligado um pouco à tradição e um pouco à vanguarda, procurando ainda um caminho sem ter muito conhecimento disso, enquanto que a geração mimeógrafa tava querendo quebrar todos os tabus, também sem saber muito o que estava fazendo. Porque a grande geração da poesia de Brasília é a geração mimeógrafa, com o Nicolas Behr, Chacal, (irreconhecível), Afonso Henrique Neto, Eldor Augusto, então tem toda uma geração, a Xënia Antunes, que não foi tanto geração mimeógrafa, mas como era jornalista contribuiu muito para a repercussão da literatura de Brasília no meio da imprensa. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;E aí como eu estava ligado também com a Associação Nacional do Escritor, eu até hoje não me insiro e não estive inserido na geração mimeografa deste período. Mas nesse período a gente tinha dois grandes amigos, um que se afastou da literatura, só publicou livros junto comigo, foi o Ronaldo Alexandre, o outro também que se afastou, tem muito material inédito, que é o Cunho Prado, chegamos a publicar alguma coisa juntos, mas ele se interessou por outras questões e se afastou da literatura. E aí fui me aproximando de outras pessoas. É claro que essas amizades perduram até hoje, são meus grandes amigos, porque a minha formação literária se deu junto com eles. E a grande formação foi justamente dentro da Associação Nacional dos Escritores, mas ao mesmo, como eu publiquei livros mimeografados, tinha aproximação com a geração mimeógrafa, então eu tenho livre trânsito em todas as correntes da literatura de Brasília. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;O meu trânsito, com grandes amizades, no meio mais acadêmico, da Associação do Escritor, da Academia Brasiliense de Letras, como tenho também no meio menos acadêmico, onde circula o Menezes de Morais, o Nicholas, então eu tenho essa aceitação e que me possibilita ter amizades em todos esses círculos. E tem alguns movimentos que participamos. Então o que poderíamos destacar dessa evolução da literatura de Brasília e que eu poderia, que eu participei disso? A geração mimeógrafo ela aconteceu na década de 70, assim já de uma resistência à ditadura, e de resistência à poesia de vanguarda, excessiva, aquela poesia processo, poesia práxis que acontecia no Brasil, e que a juventude queria desconstruir tudo isso. De uma forma mais direta, mais debochada, mas ao mesmo tempo mexendo na questão social. Eu também estava preocupado com isso, de ser menos acadêmico, menos vanguardista, uma poesia mais leve, então por isso eu cheguei a me aproximar um pouco disso. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Mas nessa década de 70 que a literatura tava começando a ter um caráter brasiliense, porque antes era só as pessoas que vinham de fora e que já estavam com a sua obra pronta, como era o Domingos Carvalho da Silva, da geração de 45, que tava aqui, o Antônio Carlos Osório, o Fernando Mendes Viana. Então eram poetas que estavam chegando de fora, com uma obra já com caráter acadêmico, como o Joanir de Oliveira, que foi o grande divulgador da literatura brasiliense, e que estavam girando em torno da Associação Nacional do Escritor. Com o surgimento da geração do mimeógrafo que começa a polarizar a produção literária de Brasília, e aí começam alguns movimentos que isso tudo gera, de resistência, leituras públicas em época do Apartheid. Eu não participei de nenhum movimento político, porque essa geração de 52 participou menos. Porque eu fiquei fora das Diretas, porque eu tava mais velho pras Diretas e estava muito novo pro movimento de 64, em 64, 68, 68 eu até poderia ter participado, mas eu estava num momento em que eu não tinha nenhuma autonomia econômica pra participar disso, eu estava num momento em que eu precisava, eu estava chegando de Silvânia, estava longe do processo, precisava de arrumar um meio econômico de sobrevivência, apesar de ter consciência política da questão. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Por isso que eu compreendo que eu não participei desses movimentos de esquerdas do Brasil, se bem que eu discutia isso desde Silvânia com os meus amigos que eu deixei lá, que o processo da juventude naquele período era muito maior de discussões. Hoje os jovens não se reúnem para discussões políticas de questões nacionais. Há uma forma diferente de encarar a forma dos debates, naquele período não, os jovens, apesar de o acesso à cultura ser muito difícil e o próprio processo de compreensão política, mas ele queria ter essa compreensão do que podia ser feito com o país, por isso essa resistência tão grande e que desaguou no regime militar. Tudo isso o que nós conhecemos, com a repressão toda e quem mais pagou isso foi a juventude, quem mais pagou todos esses desastres foi a juventude, com suas vidas, porque não foi só com a vida que a juventude perdeu, porque morreram muitos jovens. A maior perda foi a falta de formação, porque se tivesse uma boa formação naquele período, a nossa política já tinha progredido muito mais. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;O próprio sistema de universidade que foi criado, e que possibilitou esse questionamento, mas de qualquer forma ele foi feito para não ter debate político. Porque a universidade é feita fora da cidade? Quando você pega um &lt;i&gt;campus&lt;/i&gt; universitário, é como se ele não tivesse inserido na sociedade, é um troço isolado, como se você não pudesse debater, fosse uma coisa só acadêmica. Mas o jovem acabou procurando meios de reagir a isso, inclusive com a literatura, dentro da própria faculdade teve muitos movimentos. Não digo que eu participei porque eu não estava na UnB, mas dentro da UnB teve muitos jovens, o Armagedon que lia poesia, os jovens liam poesia dentro desses movimentos, então sempre teve uma participação muito grande.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Mas aí quando foi, já em 78, quando tava acabando os regimes militares, haviam muitas leituras públicas de poesia, poesias de resistência. Então Brasília, eu digo nessa antologia que eu estou organizando para a Bienal Internacional de Poesia que vai acontecer em setembro na Biblioteca Internacional de Brasília, eu já fiz uma introdução dela, que a poesia daquele período, ela não podia ser de vanguarda. Como o país estava em ebulição, em alteração política, saindo de um regime militar com muita pressão, a poesia em Brasília foi contaminada por esse processo político. Era uma poesia de muita resistência, ela não era de vanguarda. Enquanto Brasília era moderna a poesia não era moderna, então era uma poesia do jovem, a do jovem não era moderna, era uma poesia marginal, de resistência de rua, de anotação, ela não era vanguardista, assim, de linguagem, que misture poema visual. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Nada disso, era uma poesia exatamente pra resistir, e a acadêmica também acabou se voltando pra isso, pra resistir contra o regime político. A efervescência política, então a poesia não acompanhou esse aspecto moderno de Brasília, de acompanhar sua arquitetura, esse aspecto todo. Eu acredito que essa modernidade só vai alcançar daqui pra frente, porque aí aqueles, os jovens que vão se formando, os poetas que vieram pra cá vão alcançar uma autonomia financeira, uma compreensão melhor das coisas, uma vida mais abastada, mais resolvida, uma sociedade mais organizada. Aí sim a poesia vai poder encaminhar-se para uma maior modernidade, porque enquanto a sociedade tiver dificuldade, uma cidade em desordem política, a poesia vai acompanhar essa resistência. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;A literatura acompanha a realidade, então se há um problema na realidade, a literatura ta acompanhando esse problema na realidade. Então só quando as coisas se organizarem a poesia vai ter preocupação de acompanhar o que é moderno na cidade: "então agora eu posso procurar o texto em si mesmo, procurar ser neo-barroco como ta se fazendo em outras localidades". Porque ninguém hoje em Brasília ta preocupado em ser um poeta neo-barroco, porque ta preocupado em que destino tomar em conjunto com essa afirmação política da cidade, ainda ta procurando caminho também. A poesia acompanha esse aspecto histórico da cidade, então se a cidade ta procurando uma afirmação política e não se encontra, a poesia também ta perdida procurando também a sua afirmação junto com esse processo do real.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Vamos ver mais, qual outro caminho que nós vamos procurar mais.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Um dos grandes movimentos que eu participei, vamos assim procurando os caminhos, que eu gostei muitíssimo de participar em Brasília, foram realmente o das leituras. E uma das coisas mais bonitas que nós fizemos foram resistências contra o Apartheid africano, que reunia muita gente na Torre, em frente ao Conic... Armávamos grandes palanques e cada um dos poetas escreviam poemas em defesa da África do Sul. Vários poetas saíram em jornais de outros estados com seus poemas, isso com o ápice, quando mataram o Moloise na África do Sul, poeta que estava preso, eles mataram o poeta, tudo muito chocante naquele período, e que nós fizemos grandes movimentos, e não sei se teve alguma repercussão, pelo menos estava acontecendo na capital do país, de repente ter contribuído para ter algum reflexo pra ajudar nessas aberturas e discussões, de aceitação de mais abertura e integração racial, coisas importantes.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Naquele período então aí viemos passando já pra, porque até aquele período em 79 eu não tinha publicado um livro individual. Aí quando foi em 79 veio a minha necessidade já de publicar um livro pessoal, aí reuniu os meus poemas iniciais que foram motivados pela vida da minha mãe. Se bem que não é uma biografia dela, então são os poemas pra uma mulher sertaneja, que enfrenta suas questões, junto com alguns outros poemas. Aí eu reuni esses poemas, junto com alguns outros, o título do livro é baseado numa expressão que a mulher goiana usa, que o homem goiano usa, que diz que quando passa trabalhando o dia todo e fica muito cansado diz &lt;i&gt;"olha, parece que me passaram na moenda"&lt;/i&gt;, então isso é, que ta moído, que ta cansado. É um título de livro que todos gostam muito que é a "Moenda dos dias", e foi muito bem acolhido e tudo, tem capa do Drummond sobre o livro, diversas declarações que me deixam envaidecido até hoje de tê-las recebido.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Isso foi em 79, em 80 eu inclusive esse era o meu segundo livro que estava pronto, porque eu tinha um outro livro que se chamava "O susto de viver", eu falei então "agora eu vou publicar o segundo livro". Nessa época existia o Instituto Nacional do Livro que ajudou muito a publicar poesia no Brasil. Eu fui ao balcão do Instituto Nacional do Livro e inscrevi o meu livro para publicar, "O susto de viver". Eles aprovaram e com isso a "Moenda dos dias" já tendo muita acolhida, aí eu pensei "poxa, eu podia publicar os dois livros juntos", voltei ao balcão lá e falei que eu queria publicar o outro livro junto, aí falou "não, mas aí você tem que pedir outra autorização pedindo pra juntar", falei então "junta aí que eles autorizam". &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Eles autorizaram e aí saíram os dois livros reunidos, pela Civilização Brasileira. Foi uma fase importante, isso em década de 80, foi uma época até que eu organizei duas antologias de escritores de Brasília, uma de poetas, que é o "Encanto Cerrado". Até me lembro muito bem do lançamento, foi um evento extraordinário, que foi na época da livraria Galilei, onde ocorriam muitos lançamentos, era uma livraria que atraía muita gente de Brasília, e traziam muitos escritores aqui. Fizemos o lançamento lá, foi até numa noite chuvosa, chovia a cântaros, e vendemos 179 livros, então foi um lançamento extraordinário dessa antologia. Então era uma época muito efervescente em que a cidade respondia aos eventos culturais, você fazia leitura na rua e tinha gente pra ouvir, você fazia um lançamento e tinha 179 pessoas pra comprar os livros, então era uma coisa extraordinária.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Em seguida, como foi um sucesso da antologia de poetas eu, isso consorciados, todos pagados, não tinha editora nenhuma para bancar as publicações. Em seguida eu organizei uma de contos, até o Cristovam diz assim: "Salomão, você foi meu primeiro editor" porque o primeiro texto que o Cristovam publicou em livro foi nessa antologia, então ele sempre faz muita festa quando me encontra, porque o conto dele está nessa antologia.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Então era muito efervescente, e isso me possibilitava a proximidade com a literatura de Brasília. Mas a literatura entrou numa crise muito grande de identidade, os próprios autores entraram. Vencido esse período de resistência à ditadura a poesia ficou também muito desnorteada, não é um período de grandes livros, eu mesmo leio meus livros seguintes e fico com muita dúvida.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;A poesia entrou num grande impasse, porque você, diante dessa pauta, diante dos movimentos de poesia visual, de poesia marginal, a poesia não queria mais uma poesia acadêmica, parnasiana, de soneto, ela queria encontrar um caminho novo, e cabia a você fazer essas tentativas.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Por isso quando eu fui rever agora os meus livros seguintes, depois de "A moenda dos dias" e "Susto de viver", que eu já tinha publicado mais três livros na década de 80 e início de 90, foi "Falo" que era já resistência, meio amoroso e tudo, e também, quais os outros livros meu Deus? Aí em seguida foi "Cadernos de desapontamentos" e também "Criação de lodo". Então são os meus livros intermediários, dessa fase que não houve grande desenvolvimento na literatura, não só brasiliense, mas do próprio país. Você não tem grandes poetas dessa fase, então sobram um ou outro e que vem de fases anteriores, e que não se firmaram, porque os grandes poetas que vieram a se firmar depois, já no final da década de 90 e tudo. Na década de 80, essa foi uma grande dificuldade na literatura de Brasília, esse grande vazio na literatura. O que passou a literatura marginal, os poetas continuaram fazendo literatura marginal, já não era mais identidade, e os poetas marginais geralmente não evoluíram, e vai criar um grande problema pra eles, porque a poesia não é mais marginal. &lt;/p&gt;      &lt;p&gt;Nós temos de convir que a poesia hoje já é uma outra, eu vou até escrever um artigo sobre isso, então ela já ta num outro patamar, e os poetas marginais não progrediram nisso, o Chacal, o Nicholas Behr, se o Nicholas souber disso ele me mata. Porque viraram alguns ícones, mas estão tendo dificuldades de ajustar a sua poesia.&lt;span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;Nessa fase, e que precisava de ajustes, aí já quase em 2000 que a literatura vai criando uma maturidade, uma visão melhor. Mas Brasília ainda ficou com uns vácuos muito grandes, nós não podemos dizer que ela tenha evoluído tanto e que tenha chegado a esse lado moderno que é Brasília. Então ela já não acompanhou tudo isso, porque os poetas ainda estão inseridos numa preocupação muito grande de afirmação profissional, de questionamento da cidade, dos seus destinos políticos. E a poesia ainda não teve tempo para esse grande ajuste moderno que Brasília precisa na sua poesia.   &lt;p&gt;Nós podemos dizer que algumas experiências na poesia de Brasília que são importantes. Eu destaco 3 poetas: o Di Júnior, que tem exposições nacionais, participou um pouco de poesias de vanguarda, hoje ele ta muito abandonado em Brasília, se algum colega seu quiser fazer um bom trabalho é procurá-lo que ele tem uma compreensão muito boa sobre poesia. Na verdade ele ta muito assim, descrente, ele ta mexendo com essa nova linha de pensamento racional, essa coisa assim, e abandonou muito a literatura, mas é uma poesia que avançou muito e é uma poesia extraordinária.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt; E um outro, que é o Osvaldino Marques, também que, não, o Osvaldino Marques não, minto, o Altino Caixeta, que eu acredito que foi um dos grandes avanços na poesia de Brasília, um dos grandes mentores, e que ainda ta desconhecido. Ele já avançou bem mais numa poesia mais surrealista, bem mais, mas isso sem estar envolvido num movimento. Não quer dizer que Brasília teve movimentos pra fazer esses poetas, eles fizeram de forma isolada. O único movimento mesmo foi a literatura marginal, que os poetas se encontravam mais amiúde, e tinham aquele fim de estar junto da população vendendo seus livros. &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Os outros poetas, como é o caso do Di Júnior, do Altino Caixeta, e, qual o outro que eu ia citar meu Deus? O outro é o Cac, que ta mais novo agora, e que é uma promessa, o Francisco Kak que é uma grande promessa da literatura de Brasília nesse sentido de avanços, então eu acredito que ele pode alcançar algumas coisas novas.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;O outro, que fez "Com muita solidão", e que faleceu esse ano agora, que era o Otavio Afonso, ganhou um prêmio em Cuba e tudo, também tava com um poesia extraordinária, é até triste tocar nisso porque ele morreu muito novo. Ele é da minha geração, teve um câncer e morreu esse ano, a poesia que ele deixou num blog inédito, os poemas tão todos inéditos, ele publicou só um livro em vida, que são poemas extraordinários. Que avançou bastante também dentro dessa modernidade, que é o Otávio Afonso, um poeta extraordinário e qualquer um que for citar a literatura de Brasília tem que mencionar o Otávio Afonso pelos seus avanços. Se hoje nós falamos numa literatura neo-barroca, que avança assim e tudo nós não podemos esquecê-lo, ele que avançou nessas linguagens.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;E a grande, em Brasília, essa literatura mais oficial, tem um escritor aí, um poeta, que hoje é embaixador acho que na Nicarágua, o José Roberto. Ele escreveu um livro e que resgata, numa literatura oficial e na poesia marginal, então ele examina esses movimentos. A marginal é mais ou menos a que gira em torno do Nicholas Behr, e tem a literatura oficial, que gira em torno da Academia Brasiliense de Letras e da Associação Nacional do Escritor. Que tem grandes nomes, que hoje já ta se sobressaindo em antologias nacionais e tudo, que poderíamos citar uns 4 nomes, como é o Anderson Braga Horta, que ganhou o Prêmio Jabuti, o Fernando Mendes Vianna, que faleceu recentemente, e o Joanyr de Oliveira.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Eu faço parte da Associação Nacional do Escritor, não como um acadêmico, com uma poesia acadêmica. Eu não me insiro numa poesia acadêmica, eu to procurando agora umas experiências para me aproximar mais da literatura latino-americana. Isso até eu me sinto feliz, porque a minha poesia sempre foi de muita pesquisa, se o início era muito de aventura, muito ligada ao meu real. Agora eu tenho uma necessidade dessa compreensão de avanço e modernidade, de avançar, porque você vai criando uma consciência crítica, então dentro dessa consciência crítica eu sei que eu tenho que fazer pesquisas para me aproximar de caminhos novos da poesia.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;A poesia que não avançar ela ta morta, entende? Ela precisa de caminhos novos, e na América Latina tem um segmento novo ligada às vanguardas, sem ser vanguarda, sem ser poesia visual, o poema praxis, que eu prefiro chamar de pós-vanguarda, e que aqui no Brasil já tem alguns seguidores, que é o neo-barroco. Então meus dois últimos livros já foi uma tentativa de chegar a essa poesia. Então não sei se eu to, eu acredito que eu estou num bom caminho, os dois livros foram premiados e tudo, coisa que não tinha alcançado com os primeiros livros. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;É o que se precisa, então basta ver que você consegue alguma coisa e já começa um reconhecimento por isso. Essa poesia neo-barroca ela ainda é discursiva, ainda é baseada no texto. Só que ela não tem a obrigatoriedade de uma expressão frasal, então a frase ela não é completa, ela tem espelhamentos, tem tanto de idéias quanto de palavras, tem que ter muita sonoridade interna, tem que ter imagens chocantes uma dentro da outra, quase surreal, não precisa ter a obrigatoriedade de estar fazendo uma crítica do real, e sem ser parnasiano sem ser nada. Então há poetas extraordinários nessa linha, e que eu gosto imensamente de um mexicano, que ele é uruguaio, mas que está no México, que é o Victor Sosa, já traduzi uns três poemas dele, e tem coisas impecáveis nessa linha.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Então eu acho que a poesia que se for fazer daqui pra frente tem que ser com muita pesquisa, e tem que sair muito do nosso modernismo inicial. Não se faz mais poesia só pra criticar o real, pra criticar um momento amoroso, nada disso, tem que ser uma aventura quase surreal mesmo, onde a palavra que é a coisa dela. Esse entrechoque das palavras, de criar situações, para criar a beleza. Por isso que eu me sinto feliz de no ano em que eu nasci de ter surgido o "Invenção de Orfeu", porque o "Invenção de Orfeu" eu acho que é esse espelhamento do que é a poesia daqui pra frente. Até a pouco eu tava aqui com o Ronaldo Costa Fernandes, que é um grande amigo, poeta e ficcionista daqui de Brasília. E que no Brasil o grande poeta é o João Cabral, mas eu prefiro esses, porque o João Cabral trabalha com o real, o nordestino ali e tudo, o espanhol. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Mas eu prefiro essa aventura do "Invenção de Orfeu", porque é no "Invenção de Orfeu" que a palavra ela existe em si mesma, ela cria outras dimensões, e eu acho que isso tem muito a ver com Brasília, porque Brasília o que é que ela encanta? Ela não encanta não é por ter política, não é por ser uma questão, é por ser inovadora nessa curvas que tem na sua arquitetura, essa coisa quase vazia, que parece que não existia noutro lugar, será que é possível inventar uma curva, o Niemeyer fazia, faz um desenho curvo e depois vai fazer um prédio dentro dessa curva. Então acho que isso é que é poesia, que tem que ser a poesia de Brasília, imaginar um negócio, e diferente, não é em formas que já estavam prontas, é inventar novas formas, uma dimensão nova pra essa poesia. Porque já que a arquitetura foi criada numa nova dimensão, que a poesia também venha com uma nova dimensão. O que é difícil, porque, qual a grande dificuldade pra cultura? Porque ela se faz com alguns elementos, e os elementos são exauríveis, como se trabalha com palavras, formas, nós já temos o surrealismo.&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Mas a arte, ela é milagrosa, em determinado momento, nesse entrecruzamento de tradição, acaba surgindo uma coisa que você nem esperava. Ontem eu ouvia o depoimento de uma bióloga, depois que aprovaram aí a célula-tronco, aí no dia seguinte o cara bate na porta e diz "eu vim aqui já pra fazer o meu tratamento". Mas acontece que agora é que vai começar a pesquisa. Assim como é com a célula-tronco é também com a arte, você não pode falar "eu vou sentar aqui e fazer a coisa nova". &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;A novidade na arte surge num momento em que ninguém espera, você não pode falar "poeta, você não ta fazendo aquilo que é necessário". Mas até o crítico não sabe aquilo que é necessário, ele surge de onde menos se espera, então a arte é isso, é de uma naturalidade das conjunções. Você não pode decidir aquilo que se deve fazer, tem que se fazer acertando ou errando, então Brasília tem que continuar fazendo. O que tem que aumentar em Brasília, pra sobressair o que existe de bom aqui, tem que aumentar é o processo crítico, ter maior participação, porque se o seu ambiente não é questionado, você não tem o que fazer. &lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então nós temos que aumentar em Brasília o processo crítico da arte, pra ser crítico político, crítico social, crítico não sei o quê, e a crítica artística? Este questionamento? Então só onde há questionamento há necessidade de aprimoramento. Então em Brasília o que é necessário é a ampliação do processo crítico da arte, para ela melhorar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;A forma de financiamento, de publicação dos livros, se dá de diversas formas. A poesia ela tem uma grande dificuldade, porque se não lê poesia também não se vende, há uma vendagem muito pequena de poesia no Brasil, e em Brasília não é diferente. As editoras publicam poesia porque ela dá notoriedade aos catálogos. Alguns poetas são escolhidos pela editora para dar notoriedade ao catálogo dela, mesmo que não venda ela tem lá "publicamos poetas x e x". Porque ter um Drummond no catálogo é notoriedade pra editora, é mais notório do que publicar uma Maitê Proença, porque todo mundo sabe que é muito mais importante ter publicado um Drummond do que ter publicado um Garrincha ou publicar não sei quem, então o poeta dá notoriedade aos catálogos.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O difícil é você se firmar como um poeta, ser o eleito para dar notoriedade a um catálogo, então enquanto o poeta não é o eleito, porque os eleitos são poucos, são pouquíssimos, hoje nós podemos dizer que tem 4 ou 5 poetas eleitos no Brasil para dar notoriedade a um catálogo. Então há necessidade de algumas alternativas, uma delas é o financiamento do próprio poeta, as edições financiadas, o que ta ficando muito difícil no Brasil, porque o processo editorial ta ficando muito caro, o papel é caro. Então hoje publicar um livro é muito caro, o poeta pra tirar aí 6 mil reais do bolso para publicar um livro vai ficando inviável hoje em dia, mas mesmo assim acaba arrumando alternativas de publicação.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então até 93 eu financiei, eu paguei a edição de uns 4 livros, e consegui o financiamento de um pelo INL. E também nesse período até que eu não tive prejuízo com a publicação de nenhum livro, como você era mais novo, dividia de mão em mão, fazia lançamentos, e acabava repondo o dinheiro do livro que você publicava.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Depois disso eu passei um período sem publicar, mas aí eu já ganhei um prêmio, que possibilitou a publicação, os dois prêmios já possibilitaram a publicação do livro. E agora, no ano passado, que eu publiquei a antologia da minha obra, o GDF tem um programa de incentivo à cultura, que é o FAC, que possibilita aos escritores de Brasília publicar as suas obras. Isso era uma reivindicação antiga dos escritores de Brasília, porque a maioria dos estados tem o seu incentivo à cultura. A sociedade também não pode viver sem cultura, é um atraso nos seus questionamentos, na sua vivacidade cultural, então o Estado tem que participar disso, senão morre tudo.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Com o programa de incentivo à cultura em Brasília, daí a uns 4 anos, isso melhorou muito em Brasília. Então tem surgido muito mais escritores, muito mais obras, e que começa a possibilitar talvez até aumentar o processo crítico e até incentivar mesmo a produção. Porque você sabendo que vai ter uma forma de publicar, você também escreve mais, o autor também vai escrever mais. E à medida que escreve mais ele pesquisa mais, então de repente até há uma evolução na poesia, na ficção de Brasília. Eu acredito que possa ter uma melhoria importante, como já teve, já surgiu bem mais escritores em atividade em Brasília, que estão se sobressaindo com as suas obras.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Nesse ano eu devo publicar mais um livro, que é de artigos, que eu já publiquei na imprensa. Em Brasília são poucos os espaços para os escritores, a imprensa não tem espaço para os escritores de Brasília. Apesar de dizer que tem caderno e tudo, mas não há espaço e tudo. Se eu escrever uma resenha hoje não tenho espaço em Brasília, eu tenho que me valer de outros locais mas que são muito poucos. Eu tenho às vezes que me valer d'O Rascunho em Curitiba, ou então em Goiás, em Goiás o artigo que eu quiser publicar eu consigo. Mas você não é remunerado, você ta sempre escrevendo de forma graciosa. Aqui em Brasília nós podemos dizer que não há nenhuma publicação voltada para a literatura brasiliense, em questão de publicação diária, semanal ou mensal, não existe. O que existe é um boletim da ANE com poucas informações, umas revistas das academias, mas que não são voltadas assim para uma circulação mais ampla, de chegar ao público, pra chegar ao público não existe nenhuma publicação. O que impede imensamente o autor brasiliense de ter transparência na cidade, então essa é a grande dificuldade.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;O que tem ampliado é o meio virtual. Não sabemos se essa vai ser a grande tendência da literatura. Eu não confio muito nisso, auxilia, mas eu acredito que o que nós ainda temos que batalhar muito, não sendo conservador, o livro ainda é fundamental no auxílio da formação individual, de humanismo, de prazer de cultura e tudo. Porque o meio virtual ele é muito enganoso, apesar de todos estarmos no meio virtual, muitos escritores, muitas páginas voltadas para isso, e ter um interesse muito grande no meio disso, ele ainda é muito enganoso. Isso é muito fragmentado, e não podemos garantir que isso seja um grande formador de  humanismo, de prazer de leitura, então eu acho que isso ainda é muito em suspeição, ainda há muita suspeição em relação a isso.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Então, o processo criativo:&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Eu não tenho um processo criativo sistematizado, assim "tal hora eu vou escrever, vou produzir tantas horas por dia" o poeta não tem muito disso, ele não tem uma fixação de horário. Eu sempre escrevi, geralmente no horário noturno, você chega de um trabalho, você tem um processo, você escreve. Às vezes até em momento de trabalho mesmo, escreve em horário de almoço, na rua às vezes você tem os seus imaginários e você produz.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Até que nos dois últimos livros eu tive um processo assim, mais profissionalizado, como eu estava pesquisando, queria fazer as produções, eu pegava meus textos e trabalhava os meus textos já em horários mais específicos. Isso é prova de que você não precisa esperar inspiração para escrever, escrever é trabalho, é você sentar mesmo com a disposição de escrever, de produzir, então até a poesia é isso. Você não pode ficar esperando sentado que o poema não vai cair na sua cabeça, você tem que sentar e produzir, se não funciona, pega, recomeça, joga fora e recomeça, até alguma coisa te satisfazer. Escreveu? amanhã volta àquele texto, vai produzir de novo, porque a maioria acha que produziu um texto e já ta pronto , não ta, às vezes você tem que mexer com ele 20 vezes até ele ter uma determinada ordem que você precisava.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Mas a medida que você vai chegando a determinadas fases você tem melhor processos de introdução, então você estabelece melhor os horários.. Vê o que mais está faltando aí pra nós.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Eu tive vários momentos de convivência com a cidade. Como eu não dirijo, não por aversão ao carro, não é isso, Drummond não dirigia, diversos escritores não dirigiam. Quando você tem uma ligação com o livro, com outra coisa, você tem essa intimidade diferente. Nunca aprendi a dirigir, então isso me possibilitou uma intimidade maior com a cidade. Eu estou sempre andando de ônibus, você pode ter um contato melhor com a população, eu já morei em diversas cidades satélites, então eu já tive diversos contatos com diversas sociedades. O que me auxilia muito, porque você tem uma visão social que também contribui com a poesia, porque a poesia de gabinete ela é fria e às vezes muito ridícula.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Eu comecei morando em Taguatinga Sul, na Vila Matias. Eu ia ao cinema, como juventude, eu vivi em Taguatinga Sul. Um pouco solitário mas já tinha algumas amizades, muito cinema, assistia os meus filmes no Cine Lara. Você assistia o filme até de pé, porque o filme era uma grande seqüência, e que ia mudar depois com a entrada da televisão.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Depois eu mudei para, de Taguatinga Sul, com muita dificuldade, eu morei até por um período, que meu pai faleceu. Eu morava num quarto de 2x2 mais ou menos. Sozinho, tinha que cozinhar e tudo, fazer a minha faculdade, chegava de madrugada da faculdade, de madrugada não, aí já é exagero, chegava ali quase meia-noite e não tinha nem banheiro para tomar banho, então foi um contato muito duro.&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt; &lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt;"&gt;Mas esse era o modo de viver de muitos que estavam morando ali, em Taguatinga nesse período, eram vários barracos dentro dos quintais e todo mundo morando, porque todo mundo tava começando. Não tinha nem banheiro, não tinha água quente não tinha nada, o cara chegava e tinha que tomar banho de mangueira dentro de uma privada. Não tinha nem rede de esgoto, tomava banho dentro daquele banheiro, chovia, a água caía e caía dentro da privada e tava tomado o banho. E isso era quase toda a sociedade, quantos não estavam fazendo isso? Quantos trabalhadores não estavam fazendo assim?&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Em seguida eu me mudei para Taguatinga Norte, aí eu já melhorei o local de moradia e tudo. Estava terminando a minha faculdade, trabalhava em Taguatinga norte. Tinha uma ligação com produção, trabalhava na Fundação Educacional, junto com os estudantes e tudo. Mas foi até uma época muito difícil e tudo, porque eu fui trabalhar no setor de limpeza do colégio, dirigir o pessoal de limpeza e eu não tinha nenhum traquejo para dirigir aquele pessoal. Como é que eu ia dar ordem, eu que sempre fui mais voltado para estar lendo? Dar ordem pra faxineiro e tudo isso? Então eu tive muita dificuldade e foi um desastre essa minha experiência.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Mas nisso eu passei num concurso para o Ministério da Fazenda, aí eu mudei já os focos, terminei a minha faculdade e me casei também. Eu e minha mulher fomos morar no Guará e moramos no Guará por algum tempo. Então eu conheci diversas sociedades de Brasília, por isso eu tenho amigos hoje em toda a camada social, tenho amigo na Ceilândia, no Guará, todos os locais. Eu morei nesses locais, com pessoas humildes, o que me possibilitou essa vivência de compreender as pessoas de Brasília. Não vivi num meio social abastado, a minha poesia foi feita, às vezes me cobram isso, não, não precisava mexer com questão social e tudo, mas é onde eu estava pra poder ter essa compreensão de sociedade.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Então compramos uma casa em Ceilândia, cheguei lá não tinha nada, era bairro entregue pelo governo que não tinha nem água, mandava o indivíduo morar lá e não tinha água pra tomar, beber, tomar banho e cozinhar. Tive que brigar, participar junto ao governo para poder mandar água para aquele bairro da Guariroba que eu comecei morando lá. Comprei a casa e as pessoas já estavam morando lá, porque eu não fui, comprei a casa já de um terceiro e as pessoas estavam morando lá sem água. Em 15 dias que eu estava lá eu consegui que o governo colocasse água lá. Ninguém nem reclamava, fui reclamar, falei "vamos colocar água nesse negócio". Com muita dificuldade, seu filho ficava doente e você não conseguia sair de casa para poder levá-lo para tomar uma injeção, porque era tanta poeira, como você ia sair com seu filho com pneumonia pra poder levá-lo pra tomar uma injeção? Então a vida de pioneiro de Brasília, assim como o sacrifício, mas de uma formação, de uma experiência de vida muito importante.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Acho até que falta isso ao jovem hoje, para ele valorizar mais a vida, para ele respeitar mais o outro. Acho que essas dificuldades que o jovem não enfrenta hoje traz um vazio muito enorme à vida dele, pra saber que a vida tem o seu aspecto intenso. Senão diz "não a vida é um troço meio vazio mesmo então eu posso matar, posso não sei o quê". Então eu acho que ta faltando o que os filósofos chamam de rito de passagem, os jovens de vez em quando tem que tomar uma bordoada pra poder dizer "pô, então a vida é importante", acho que ta faltando uma bordoada nos jovens hoje. Porque se ele não tem a bordoada ele não preocupa com a sociedade, não se preocupa com o outro, não se preocupa com a política não se preocupa com nada, e nós vivemos num meio em que a qualquer momento nós podemos tomar uma bordoada.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Os escritores eles não são muito sociais, os escritores são introspectivos. Eu não fui muito de bares, então como a poesia de Brasília esteve muito fundamentada em bares, o Beirute era o grande centralizador da cultura em Brasília, os poetas, os jornalistas e tudo. Não fui um freqüentador do Beirute, talvez esse seja até um dos fatores que eu não seja enquadrado na poesia marginal, porque a poesia marginal girava em torno do Beirute.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Sempre freqüentei a Associação Nacional dos Escritores como meio literário. Alguns lugares de leitura de poesia mas muito pouco, eu freqüento menos porque nós temos aqui o coletivo de poetas de Brasília, do Menezes de Morais, que promove leituras em alguns determinados locais, ele vive mudando de bar, de algum lugar de leitura, então geralmente eu participo também do coletivo de poetas de Brasília do Menezes y Morais.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Agora, quanto na vida social, na vida moderna ela ocorre muito no ritmo da sua própria casa. Eu freqüento menos clubes, a minha família freqüenta o clube do próprio trabalho, as vezes a gente freqüenta lá, que é o Clube da Fundação Hospitalar, que fica aqui no Setor de Indústrias. Freqüento famílias, mais da minha mulher, porque eu tenho menos familiares em Brasília. Estou sempre retornando à minha cidade, Silvânia, a minha mãe continua morando lá, então pelo menos umas 4 ou 5 vezes ao ano eu retorno à Silvânia, com as famílias. E atualmente para poder intensificar a relação com alguns amigos e até com alguns escritores, eu tenho promovido também sessões de cinema na minha casa. Então a partir de você assistir um filme você também abrir o debate, dialogar, então os escritores também se encontram muito nas suas casas. Há muita reciprocidade, é também uma forma dos escritores se mostrarem, nas suas casas.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Cultural, as terças literárias da Associação Nacional do Escritor, atualmente, eu estou remetendo pra cá, e isso é mais antigo, porque as terças literárias da Associação Nacional do Escritor ela é antiga, ela ocorre há muito tempo. Então de 15 em 15 dias tem uma palestra na Associação Nacional do Escritor, então essa geralmente a gente está presente. Atualmente ta acontecendo alguns tributos na Biblioteca Nacional, que a gente também comparece, então estamos sempre apoiando, onde os escritores também se encontram. Mas a maioria se dá em família, as famílias em Brasília se encontram bastante. Eu até já promovi, isso até outras pessoas precisavam fazer, que é promover leituras dentro da própria família, juntar os jovens e as crianças para ler poesia, então eu já fiz algumas, e são muito bem sucedidas, as crianças respondem, e sempre foram um sucesso. Reúno crianças da família com crianças da rua, faço a leitura de poesia e eles ficam muito satisfeitos.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;A construção de Brasília, ela foi necessária, então nós tínhamos que ter um outro conceito de brasilidade. Nós não podíamos conviver com o que era a beira mar, metrópole, e a província, então a primeira coisa que Brasília fez foi acabar com a província, internalizar tudo. Quando se fala em Brasília se fala sempre em internalização da economia, que é abrir espaço econômico, não, precisava gerar também a internalização da cultura. Por isso que hoje Brasília é um dos maiores centros de escritores, porque todos vieram para cá, quantos escritores não vieram para cá? Quando você coloca ministério, justiça, você coloca poder executivo, um bocado de coisa, então vem uma intelectualidade para essa centralização. E quando você centralizou você vai irradiar a cultura por um meio que não tinha nada, um meio medieval, de ninguém que não tinha nada de pensamento cultural. Você começa a visualizar alguma coisa diferente para o país, então outras leituras tem que começar a serem feitas para Brasília.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Outra questão: quando se imaginou Brasília, imaginaram uma cidade menor, que ia correr menos gente pra cá. Ela vai apresentar problemas e que ela ainda não está preparada para enfrentar, é o inchaço de população para aquilo que ela estava preparada. Não vai ter emprego pra todo mundo, não vai ter espaço para carro. Ela foi preparada para 2 mil pessoas, enquanto que aqui 2 mil pessoas já existe em Taguatinga. Então tem que se repensar totalmente a forma do crescimento de Brasília, não em pensar em tombamento de Brasília, você não pode tombar aquilo que ainda não existe, porque Brasília ainda não existe, ela ta em construção, ela ta em expansão, como é que você vai tombar isso aqui? Eu acho muito prematuro esse questionamento que se faz para Brasília, um tecido social você não pode dizer assim "ó, você pára, você não pode crescer mais". Você não manda no que é social, é o social que define uma localidade, até ouvi um debate de manhã: "não, nós temos que inventar uma forma de fazer uma casa e o indivíduo não mudar a casa". Então você tem um plano social, dar uma casa ela tinha que permanecer igual, porque se o indivíduo altera esse plano você perdeu dinheiro, você dá uma casa com banheiro e o cara não quer o banheiro daquela forma, quebra aquele banheiro. Mas não existe isso, o que define isso é a sociedade, é a mesma coisa de uma cidade, falar "não, só pode existir uma cidade satélite", não adianta, você tem que abrir espaço pro que chega, porque o tecido social ele é dinâmico. Então Brasília é um ser dinâmico que vai mudar completamente, alguns questionamentos que se faz são completamente equivocados. &lt;/p&gt;   &lt;p&gt;É preciso que os urbanistas se debrucem sobre essas questões para não enfrentar problemas sérios, de violência, por falta de emprego e até mesmo por falta de acesso à formação. Porque se o indivíduo ele não tem emprego, não tem nada, ele vai ser um problema social. E Brasília não ta crescendo, não tem como crescer a economia, isso daqui não é uma cidade industrial, é só de geração de emprego público. E hoje só se fala em cortar emprego público, todo indivíduo vem pra cá querendo emprego público, e não ta preparado pra isso, porque emprego público você não precisa de 5 mil lixeiros, criar lixeiro não é expansão.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;Então Brasília é um ente novo, que se modificou muitíssimo, mas eu sempre vi a cidade em muita ação, justamente porque ele é um ser dinâmico. Brasília sempre tem um foco de pessoas que precisam de moradia, pessoas que precisam de emprego, que são pessoas que estão chegando a todo o momento à cidade. Sem considerar que ela agora tem o seu próprio processo demográfico que vai crescer essa cidade enormemente. Por isso nós vemos hoje caos que existe no próprio trânsito de Brasília, que acontece em outras cidades mas a forma mais violenta que ta crescendo é em Brasília. Porque não tem espaço, a cidade foi muito concentrada, apesar de dizer que existe muito espaço, mas não existe, porque você não tem onde fazer todas as adaptações.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt; Se você tem tanto carro você imagina quantos não tem porque não tem um emprego? Brasília, eu acredito, é uma localidade que ainda vai enfrentar muitos problemas e que precisa ser encarada com visões muito urbanísticas de novo. Tem que se debruçar sobre isso ver de como vai se resolver isso, não vai ser só metrô e essa coisas que vai resolver essa questão de Brasília. Vai ter que ter descentralização de focos de emprego e tudo, você não pode ter o emprego só centralizado em Brasília. Você vai ter que descentralizar tudo isso e não sei de que forma, porque eu não sou urbanista e não sei que fórmula milagrosa vão encontrar para isso.&lt;/p&gt;   &lt;p&gt;&lt;i&gt;-Defina então Brasília em poucas palavras-&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Brasília já é uma metrópole, mas sem um caráter próprio. Você não pode dizer "o brasiliense é isso", porque ela não tem um sotaque próprio de linguagem, ela não tem a sua cultura própria. Ela não tem a sua própria política ainda, porque ta em adaptação, você não tem as próprias formas de geração de emprego ainda, porque você depende ainda do Governo Federal e de um bocado de externos. Ser brasiliense ainda é uma forma de encontrar caminhos novos, agora, o que torna isso instigante, é isso, porque quando você mora num local que está definido, já tem linguagem própria e tudo, isso não é aventura. Então ser brasiliense é uma grande aventura e uma forma muito de participar disso, falar assim "eu participei da criação de uma Babilônia" então eu acho que é isso que é extraordinário.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-3804062860557541109?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/3804062860557541109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=3804062860557541109' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/3804062860557541109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/3804062860557541109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2008/07/entrevista-realizada-no-dia-30-de-maio.html' title=''/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-1211951204944692972</id><published>2007-07-25T18:06:00.000-07:00</published><updated>2008-12-10T10:44:17.553-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/Rqf0k7Na_HI/AAAAAAAAAD0/30QFLiXjiiA/s1600-h/Safra_quebrada_040%5B1%5D.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/Rqf0k7Na_HI/AAAAAAAAAD0/30QFLiXjiiA/s400/Safra_quebrada_040%5B1%5D.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5091306818972089458" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Por ocasião do nosso lançamento em Silvânia, no Novo Palas, eu, o Vassil e o Euler Belém (na foto) passamos pela mata do Ginásio Anchieta no momento da partida. Outros escritores estiveram no evento (Antonio Miranda, Robson Corrêa de Araújo e Fábio Coutinho).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-1211951204944692972?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/1211951204944692972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=1211951204944692972' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/1211951204944692972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/1211951204944692972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/07/por-ocasio-do-nosso-lanamento-em.html' title=''/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/Rqf0k7Na_HI/AAAAAAAAAD0/30QFLiXjiiA/s72-c/Safra_quebrada_040%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-5081424997364125031</id><published>2007-07-25T18:03:00.001-07:00</published><updated>2007-07-25T18:16:31.220-07:00</updated><title type='text'>Poesia em Goiás</title><content type='html'>Antonio Miranda me convidou para coordenar a sessão de poesia goiana em sua página virtual. Aqueles interessados em incluir algum poeta, por favor, nos procurar para orientação; e, para obter informação sobre a poesia goiana, basta se direcionar para aquela página. (www.antoniomiranda.com.br)&lt;br /&gt; E procurar as poesias dos brasis e direcionar-se para Goiás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraços&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salomão Sousa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-5081424997364125031?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/5081424997364125031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=5081424997364125031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/5081424997364125031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/5081424997364125031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/07/poesia-em-gois.html' title='Poesia em Goiás'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-7542572925825394230</id><published>2007-06-13T10:18:00.000-07:00</published><updated>2007-06-13T10:24:37.257-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Está acertado. Dia 30, em Silvânia, o lançamento do meu livro &lt;strong&gt;Safra Quebrada&lt;/strong&gt;. O evento está sendo organizado pelo PALAS — entidade que agrega a boa juventude da cidade. Cada cidade brasileira devia ter um Edmar Cotrim!!! &lt;br /&gt;Hoje, numa navegada pela intrenet, descobri um poema que Júlio Polidoro, bom poeta de Juiz de Fora (MG), dedicou a mim. O poema integra uma série de poemas dedicados a várias escritores brasileiros (Glauco Mattosos, Domingos Pellegrino, e.....). Obrigado, Júlio Polidoro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COLETA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Salomão Sousa&lt;/em&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Assina a ruga &lt;br /&gt;essa rude instalação: &lt;br /&gt;no corpo alquebrado &lt;br /&gt;o rosto precário &lt;br /&gt;e a rua &lt;br /&gt;repleta de buracos. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;E avenidas cortam, &lt;br /&gt;novas, ao rincão &lt;br /&gt;da pele, antes plana, &lt;br /&gt;uma sucessão de quebra-molas. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Mil atalhos surgem &lt;br /&gt;desde os cílios &lt;br /&gt;e ladeiras íngremes &lt;br /&gt;entornam &lt;br /&gt;um rio de lágrimas &lt;br /&gt;dos olhos. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Eis o tempo &lt;br /&gt;e urge no meu rosto &lt;br /&gt;a vital parcela do imposto &lt;br /&gt;que esse mesmo tempo &lt;br /&gt;agora cobra&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-7542572925825394230?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/7542572925825394230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=7542572925825394230' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/7542572925825394230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/7542572925825394230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/06/est-acertado.html' title=''/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-840896592516282440</id><published>2007-03-27T10:27:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T10:28:20.026-07:00</updated><title type='text'>Ronaldo Costa Fernandes</title><content type='html'>&lt;span style="color:#33ff33;"&gt; A força da poesia de Salomão Sousa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De temática mista, Ruínas ao sol (editora 7Letras, 2006), de Salomão Sousa, mescla as expressões da vida moderna com palavras, hábitos e elementos da vida rural (“safra quebrada nas lâminas”). Não é, contudo, uma poesia rural. Pelo contrário, utiliza-se de alguns componentes rurais para esculpir obra singular. Salomão Sousa utiliza-se de linguagem pessoal e demonstra não ter influência forte ou deixar-se levar para uma “imitação” das grandes linhagens da poesia brasileira. Este é um dado inusitado na poesia brasileira, onde se percebem claramente as influências e tendências do poeta. Há uma sucessão lógica e imagens curtas, mas que carregam consigo um universo imagético muito mais amplo e audacioso. Não existe lugar-comum, e a dicção sólida e unificada, sem perda de ritmo. Sobre o ritmo, pode-se assinalar que o poeta o mantém de forma contínua, sem quebra da harmonia inicial. Não há desnível entre os poemas (na verdade, o livro parece compactar-se num longo poema-rio), o que lhes acrescenta mérito. Este livro aponta para uma madureza do poeta. Acredito que a constância e a coerência ritmo-conteúdo-linguagem demonstram que Salomão Sousa é um poeta que domina sabiamente o árduo ofício. Livro de difícil deciframento, volume denso, não chega, contudo, a ser um livro hermético como um Invenção de Orfeu. Exige, entretanto, leitura e releitura. E é na releitura dos poemas que se descobre tema, conteúdo e a formulação intrigante com a qual o poeta trama sua poética. Imagens como: “heras de seus braços”, “renúncias dos horizontes”, “dormências dos rios das lontras”, “as moscas da febre, ruínas nas portas do advento”, “esterqueiras das incertezas”, entre inúmeras outras construções, reafirmam o cuidado com a elaboração poética mais exigente. Aqui não há o lirismo fácil, mas a construção exaustiva de poetas laboriosos. Observa-se trabalho formal na formulação temática e na escolha especular do vocabulário. Desde os motivos para “iludir a morte”, dos pequenos “dos lábios nas bocainas do engenho” até uma maior como “o empenho em desligar as ogivas”, percebe-se que não há gratuidade no jogo de palavras, o que se tornou, abrindo um parêntese, uma constante na poesia brasileira encantada apenas com a sonoridade práxis e concretista injetada na nossa recente história literária. Salomão Sousa é um poeta com boa trajetória. Estreou com a publicação de A moenda dos dias (1979). No ano seguinte, acopla A moenda dos dias a outro livro intitulado O susto de viver, num só volume, publicado pela Civilização Brasileira. Em 1986, aparece seu terceiro livro de poemas: Falo. Sete anos depois, vem a lume Criação de lodo e, em 1994, publica Caderno de desapontamentos. Em 2002, sai Estoque de Relâmpagos, livro premiado pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal. Sempre experimentando, buscando novas formas de expressar-se, Salomão alcança com este Ruínas ao sol o prêmio nacional do Festival de Poesia de Goyaz. É uma dicção distinta das manifestações poéticas dos outros livros, embora se possa rastrear nos livros anteriores a estrada em que Salomão Sousa está empenhado em trilhar no seu caminho poético. Logo de início, Salomão nos avisa de forma não intencional de sua poética: a mescla do degradado com o sublime: “reservas de estrume guardam cores”. Embora inicie com um aviso também de derrota, Ruínas ao sol é um livro em que a visão otimista se sobrepõe à visão derrotista. “Depois das derrotas, dos desterros, das ruínas brocados de vento já chamam dos horizontes reservas de estrume guardam cores daqui se vai para as aventuras” E, dentro do parâmetro derrota/superação, outro par semântico assemelhado se apresenta constante: o órfico, a vitória da vida, x o tânatos, a derrota e a morte. Oposição em que sai altaneira e dionisíaca a preponderância do sim vital, contra o não mudo da morte. Assim, signos positivos se acumulam frente à derrota dos pântanos, quedas e guerras: janelas abertas, cios, portas do advento e bons desejos. São várias e alvissareiras as imagens transmudadas ou explícitas da positividade: “Mas não haverá a guerra dos cem anos/ mas janelas abertas, a retirada dos vazios”. A primeira tensão existente e nuclear entre campo e cidade, natureza e cultura, barbárie e civilização, percorre todo o livro. Antes o culto se apropria do natural e transforma-o em elemento poético e erudito. Salomão Sousa não é o aedo do bucólico, o bardo do melancólico mundo perdido, o paraíso da infância ou o ideal mundo da natureza rural com seu linguajar próprio e muito arraigado às tradições e conservadorismo. O rememorar alambicado geralmente incide na fixidez de um tempo sem mutação e, logo, um tempo estático, não real, idealizado e, quase sempre, ou infantilizado ou imune às transformações do mundo contemporâneo. Há um elencar de metáforas campestres, como dissemos, mas a poesia de Salomão Sousa não é passadista nem rural no sentido de tratar do campo como tempo imobilizado ou saudosista. O campo está ali como contribuinte metafórico e emblemático de confrontos de vida x morte (sol x ferrugem). Há também uma expectativa de algo futuro. Em toda a poesia, o poeta parece alertar o leitor da “nesga de neblina” que leitor e autor atravessam, embora haja “intrigas guardadas em curtumes”. Também a existência de perigos não visíveis. O poeta sente-se quase na obrigação do alerta das intrigas – intrigas do tempo, da vida e da morte. “Na nesga de neblina atravessamos As intrigas guardadas em curtumes Ali florescem pústulas, pensamos em lugares ao sol e estamos vesgos As perdas desconhecem nossa porta Na barreira dos Ventres aguardamos sem que o porte dos numes nos conforte Passos em falso anda a sabedoria enquanto eles não nascem, os homens nus Ao sol, trevos despertos, pertos cumes! Na terra dos Ventres não nasceu a morte também a dança da peste inexiste Damos velas às nossas vigílias Com os idílios dos erros nós remamos” Embora alerte o leitor para o seu “desembarquei-me das incertezas?”, o poeta é um poeta do conhecimento. Não faz uma poesia epistemológica, ou seja, aquela que descreve fenômenos e tenta entendê-los – como um João Cabral, entre outros. Mas busca entender o descontínuo da existência, a dubiedade e ambigüidade do estar no mundo, não se recusa a participar da vida (“mas não ser no cerne a certa traça/mas não ser a mão que traça a retirada”). As viagens, símbolo de fuga e escapismo, aqui são resistência e permanência da positividade do ser (“saber da secura/há as paisagens”), embora reconheça o conflito de “içar velas” e “pés trançadas” que cria o confronto (p. 21) resolvido a favor da vitalidade e do futuro. Ruínas ao sol já é em si um conflito, pois que a primeira palavra aponta para o passado, a derrota, o vivido e a segunda palavra indica vigor, presente e poder de dar a vida – o sol. Mas o sol pode ser também cáustico quando ilumina o passado que foi grafado na pele (“Ao sol as ruínas da pele”, p. 22). “Abra janelas acenda candelabros”, da página seguinte, é uma vocação para pólo positivo, para o sol polissêmico e não para a ruína devastadora e negativa – já que até as ruínas são iluminadas. No poema da página 23, o poeta aponta para o futuro, “aprendiz de não saber voltar”, logo transformando a ruína em algo presente e apela com vigor para seguir em frente, lá onde está a solução do eterno conflito. Estará? No poema “Navego e o mundo é onde estou”, há dinamismo, mas este primeiro verso do poema mostra um paradoxo entre fixidez x estático. O poema apresenta o enraizamento não apenas no locus, mas em si mesmo – o poeta navega dentro de si mesmo. Portos, tálamos, goivos podem ser entendidos como objetos do estático que convivem com nautas, águas, navegar, jias, garotas indo sem rumo. Outra prova do conflito e paradoxo que não leva a algo “barroco”, mas a uma definição já especificada pela positividade e fé no futuro, está no poema da página 26 (“sossego do fogo” e “a mão fervente das gemas do sossego”). Logo, sossego aqui aquece e queima, ou então, fogo aqui não ameaça, “pois as ruas terão festa” e mão fervente também não agride, pois pertence ao espaço poético da gema (criação) do sossego (mansuetude). Logo a seguir, dentro deste mesmo plano de idéias, o poeta arremata o poema: “Não sou as águas”: “eu sou as trevas e clareias”. No poema borgiano “A lua vigia a viagem”, onde inverte quem vê e quem é visto, existe um pouco do quadro Las meninas, de Velasquéz. Um belo poema, delicado, diferente das imagens fortes e contrastantes dos outros poemas, este “A lua” é quase um conto árabe e o verso “Desarreia as mulas / que patearam a lua / no espelho das poças” lembra o “La luna vino a la fragua con su polisón de nardos” do cigano García Lorca. Esta lua tão cara aos poetas ao longo da história da poesia (v. Borges e sua conferência sobre a Metáfora, em Esse ofício do verso) se ilumina os passos da mula, do viajeiro e do menino, também, num raro poema nebuloso, o poeta aponta para a singular imagem do escuro existencial: “Também não há lua / na noite dos pensamentos”. Há, contudo, poemas em que o paradoxo ou conflito não se instala e o poeta afunda-se na desesperança de “terra derrotada”. O diabo é que não se pode falar de terra derrotada sem lembrar de T. S. Eliot. Mas, Eliot à parte, estas “raízes repetidas / por sopros adiados” é vítima da repetição, da rotina e dos atos mecânicos e vê que mesmo não vindo tempestade “não bateu a nova aragem”. As palavras se repetem na roda semântica, onda após onda, e chuva após chuva, “nas ramagens nunca renovadas”. Mesmo neste tipo de poema (p. 39), o poeta ainda reacende a velha chama do desejo: “venho às ruínas desejar”. A tempestade perpassa alguns poemas, ora mostrando face de destruição, ora de renovação. É um signo de transformação de que deseja derruir para reconstruir. É preciso inventar a tempestade como símbolo do remexer universal. Ao fim e ao cabo, a tempestade “espalha o amor onde o sol trabalha”. Embora no poema da página 53 afirme que existe “um dardo de dúvida”, o que é mais certeiro e alvo é a negação dos símbolos positivos como estar “perdido de constelações” – natureza astrológica e natureza ambiental norteiam esta poesia de Salomão Sousa. Mas, mesmo assim só o que o salvará é a lua, mas, observe-se, “lua fora de estação”, logo o esquerdo, o lado inusitado das coisas. “e este dardo da dúvida e esta lâmina da dor e esta noite sem lírio lanham minhas nádegas desequilibram minha astúcia e os poços das ausências estou perdido das constelações e perseguido pelo deserto dos famintos cascavéis só uma lua sem a flor das águas arrancará do frio as minhas raízes derramará mares nos meus vazios só uma lua fora de estação fora de órbita de todo planeta vai me arrancar dos dentes do martírio” Poeta de convocatória, deixa escapar sua profissão de fé e, mais que sua poética, sua dolorida existência, ao convocar “crianças” (o lado inocente, ilógico e lúdico) e “lagartos” (rastejante poesia, que vai entre brechas, que sobe a parede do absurdo poético) para por fim (p. 60) apontar a poesia como resistência e fuga: “afugentar o bicho da espessa solidão”. Este poeta, tomado de “horto de espelhos” não é um narciso ou um solipsista. Quer participar, embora seus ombros não suportem o mundo, não se debruça na janela para observar o mundo, quer “a lenha das palavras” que “acende a festa”. É por intermédio do fogo das letras que reinventa sua participação na vida ordinária. Este ser plural – urbano/rural; solitário/coletivo; estático/movente – busca fênix de ser e de estar no mundo: “perder-se para nascer”. Logo o nascimento é conseqüência não de uma aventura do acaso, mas longo labor existencial e poético. Salomão Sousa não é poeta de palavras frouxas. Para construir sua escritura, há de trabalhá-la como o camponês com seu arado emprenha a terra de suor e semente. A presença materna é uma constante na poesia de Salomão. Seja apontando rumos, seja rememorando a infância ou o tempo perdido. A figura da mãe – aí incluída a mítica mãe terra – deveria ser melhor e mais longamente estudada, ficando aqui apenas o registro de uma figura que aponta estradas candentes (p. 70), ou seja, prefigura o rumo. Persistem em sua poesia as vinte simples palavras com que João Cabral construía seu verso, mas mescladas com palavras de uso ordinário: artemísia, leivas, zimbro, lianas, curiangos, atilhos, chavascal etc., geralmente ligadas à vida/natureza do campo. Há a promessa de ofertas de úberes: o rego cheio de peixes, chávenas de prata, montanha cheia de córregos, quando o poeta não apenas se satisfaz com uma visão promissora, advinda de uma dialética entre a negativo e o positivo, mas como ser superior que pode, num passe de mágica poesia, oferecer raízes, o úbere, lenda, sêmen, punhos fortes. Dentro da mitologia particular de Salomão Sousa (v. Octavio Paz, Os filhos do barro) há esse poder de dádiva que, sem declarar, só poderá advir de uma poderosa oferta que é a única em que o poeta pode fazer-se generoso: a palavra. Autor do livro A Moendas dos dias, vira e mexe o poeta tritura suas imagens cruas, rurais ou não, de natureza ou do espírito, embora sempre lembre que, ao lado da existência devastadora do que destrói e destroça, “há doçura” (p. 80). Salomão permanece no conflito: na ânsia de busca entre o que está moído, o que pode se aproveitar de humanismo, e a permanência – a doçura dos confrontos, “a flor no impacto enfurecido do vento”. Já poeta maduro, senhor de sua escritura, do verso terso, Salomão soma mais um ponto em sua trajetória. De forma contida – e por vezes cifrada, o que aguça o desafio de reconstruir o derruído pelas imagens fragmentárias –, o poeta alcança expressão própria, em meio a uma enxurrada de poetas prosaicos e de ditos chistosos, ele, que, em vez da leveza de um origami, coloca-se diante da massa bruta e agigantada de um elemento da natureza – bronze, mármore, ferro – e não teme o trabalho fabril de talhar sua poesia com metáforas que martelam, açulam e desafiam a figura exuberante que nascerá inédita: a poesia de Salomão Sousa é obra talhada a ferro e fogo, a moenda e susto, a esperança e sob o mais rigoroso lirismo para vencer a blandícia dos versos frouxos de cada dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-840896592516282440?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/840896592516282440/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=840896592516282440' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/840896592516282440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/840896592516282440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/ronaldo-costa-fernandes.html' title='Ronaldo Costa Fernandes'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-1223756188846830699</id><published>2007-03-27T10:21:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T10:30:50.217-07:00</updated><title type='text'>Diálogo com Victor Sosa</title><content type='html'>Apresentação de Ronado Costa Fernandes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui o leitor terá uma visão de duas literaturas de herança ibérica. Dois poetas se propõem a discutir a contribuição que Espanha e Portugal propiciaram às literaturas em novo solo americano. Um brasileiro, Salomão Sousa, e outro, o uruguaio-mexicano, Victor Sosa. Não somente os igualam a força de suas produções poéticas e nem a coincidência dos sobrenomes (Sousa/Sosa), mas a preocupação com a visão crítica da produção do passado e do presente na América espanhola e no Brasil.&lt;br /&gt;Ainda que não abone algumas nomenclaturas por eles aceitas, não posso deixar de reconhecer a força de seus argumentos e a argúcia de suas análises. Para mim, o termo pós-vanguarda não se enquadraria muito ao Brasil – prefiro o corrente pós-moderno. Há sempre de lembrar que a palavra modernismo corresponde nas duas línguas a manifestações distintas. Na espanhola, refere-se ao parnaso-simbolismo de Rubén Darío e, para nós, diz respeito justamente à nossa vanguarda do princípio do século XX com Mário e Oswald de Andrade. Quanto à expressão neobarroca (brilhantemente analisada pelo cubano Severo Sarduy), a mim me parece mais uma manifestação da transição entre modernismo (na expressão brasileira), declínio das vanguardas em direção às manifestações da pós-modernidade (aí incluiria também o nosso Guimarães Rosa e, talvez, Autran Dourado, entre outros brasileiros).&lt;br /&gt;Há bastante curiosidade neste diálogo literário: de um lado, observa-se o orgulho da literatura de língua espanhola que tem o poeta Victor Sosa e, por outro lado, certo desconforto de Salomão Sousa com seu passado literário. Lembro que o Barroco tem uma exuberância e influência fulcral não necessariamente na tradição (já que o Barroco brasileiro foi redimensionado pelo Modernismo de 22), mas nas formas mais modernas de produção literária. E que Vieira, autor de dois mundos, é um marco em nossa literatura. E recordo que Cláudio Manuel da Costa, quando chega ao Brasil, traz consigo um traço barroco que dá à sua poesia neoclássica o tom de penumbra e dor que, se alguns o vêem como apenas transição, percebo-o como um grande poeta angustiado pelo seu tempo e miséria humana.&lt;br /&gt;Não me alongarei, porque a mim me cabe apenas apresentar os dois poetas que, pela internet, se propõem a um diálogo profícuo que, como eu, fará o leitor inquietar-se e, quiçá, desejar participar pelo candente do tema e pelo prisma singular dos dois poetas. Convido os leitores a seguir a “conversa” literária de Victor Sosa, que nasceu no Uruguai em 1956 e vive na cidade do México desde 1983, e de Salomão Sousa, que nasceu em Silvânia (GO), em 1952, e está em Brasília desde 1971.&lt;br /&gt;Autor de Decir es Abisinia, entre outros livros de poesia, crítica e ensaio, Victor Sosa mantém viva ligação com a poesia brasileira. Traduziu Poesía y composición, de João Cabral de Melo Neto, e tem inédita a tradução de Farewell, de Carlos Drummond de Andrade. E figura na antologia Jardim de Camaleões, de Cláudio Daniel, que acaba de ser lançada no Brasil pela Iluminuras. Também atua como professor universitário, e é detentor dos prêmios Luis Cardoza e Aragón para Crítica de Artes Plásticas (do INBA e Governo de Nuevo León); Nacional de Poesia Pancho Nácar (do Município de Juchitán, Oaxaca) pelo livro Decir es Abisinia; e menção honrosa do Ministério da Cultura do Uruguai e da Intendência de Montevidéu, respectivamente, pelo livro Los animales furiosos.&lt;br /&gt;Salomão Sousa começou a publicar na época da Poesia Marginal, em Brasília, com Esbarros. Impulsionado pela aceitação de A moenda dos dias, em 1979, inscreveu no INL o livro O susto de viver, que seria editado pela Editora Civilização Brasileira. Organizou as antologias Em canto cerrado (de poesia) e Conto candango, com escritores de Brasília. É um dos 47 poetas incluídos no número que a revista portuguesa Anto dedicou em 1998 à literatura brasileira em comemoração aos 500 anos da descoberta do Brasil. Está inserido na Antologia da nova poesia brasileira (1992), de Olga Savary; e na A poesia goiana do século XX, de Assis Brasil. Seu livro Estoque de relâmpagos, de 2002, foi o vencedor do Prêmio Bolsa Brasília de Produção Literária da Secretaria de Cultura do Governo do Distrito Federal. Fichado na polícia pelas polêmicas de seu zine Chuço, Salomão Sousa têm inéditos livros de aforismos, poemas e crítica. (Ronaldo Costa Fernandes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Victor Sosa: alegra-me que tenhas gostado de meu poema (publicado no Mais!); só hoje me inteirei de sua publicação por Cláudio Daniel, que foi seu tradutor. O poema pertence a um livro que publiquei em 2000, chamado Decir es Abisinia. Publiquei dois livros depois, com uma tendência para o neobarroco, que é o que me ocupa ultimamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salomão Sousa: Li outros poemas de sua autoria em páginas da internet. Confirmam a inventividade encontrada no que foi traduzido por Cláudio Daniel. Mas na poesia neobarroca – eu prefiro pós-vanguardista –, que se consolidou nas vertentes da poesia pós-moderna a partir da década de 90, os versos não se encadeiam numa sintaxe perfeita. As palavras vão criando novos segmentos frasais, com dissociação de complementos. Mas isto é passado e só podemos ficar contentes com a sua poesia. Agora, no presente. Há, atualmente, uma certa desvalorização, descrédito mesmo, para entendimento do Barroco. Como a América sofreu (tardiamente) influência do Barroco, temos a tendência de reagrupá-lo nas novas correntes artísticas. Acredito, no entanto, que seria salutar e apropriado aproximar essas novas correntes de movimentos mais evolutivos, o que daria mais credibilidade crítica às novas práticas poéticas. Como somos herdeiros, não só do barroco, mas do modernismo, das vanguardas e do surrealismo, estamos inseridos num período informe, que eu prefiro aceitar como pós-vanguarda. E isto está muito bem inserido nos seus poemas, que pude conhecer agora. Há mais elementos da realidade que da imagética religiosa. E uma busca de integração à realidade, “detesto/tanto deserto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Victor Sosa: Muito interessantes teus comentários a respeito de minha poesia. Por outro lado, é certo o que dizes, que no neobarroco há uma ruptura da sintaxe a partir da imantação das palavras e de certa concatenação do discurso poético. O conceito de colagem, próprio das vanguardas, agora dá lugar a uma contigüidade de som/sentido, a um fluir metonímico sinuoso que se ramifica. Isso está em Haroldo das Galáxias, em Leminski, em Perlongher, em Kozer, e em minha poesia. Estou de acordo contigo quanto a preferir o termo pós-vanguarda, que é mais amplo e indiscutivelmente representativo desta época de prefixos. No entanto, não entendo porque dizes que o Barroco foi tardio na América. No México, por exemplo, foi uma das primeiras manifestações estéticas dentro dessa coisa chamada “Identidad mexicana” (seja lá o que for isso), que começava a formar-se no século XVI. Na arquitetura, com o churriguerismo (esse barroco transplantado, ainda que nascido na Espanha, característico destas terras) e, na poesia, com Sor Juana. Nesse sentido, o neobarroco seria uma conseqüência e uma continuidade... lembrando, é claro, por isso que, de maneira pertinente, agregas: o modernismo, o surrealismo, as vanguardas. Todo é causal neste mundo, e a poesia tão pouco escapa dessa condição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salomão Sousa: Atualmente, no Brasil, há diversas maneiras de entendimento do Barroco. Muitos julgam que ele não foi um movimento autêntico, pois até Gregório de Matos – o expoente do período, que nasceu em 1623, mais de 20 anos após o início do movimento – teria se limitado a transplantar poemas europeus para a realidade nacional. E podemos dizer que Gregório de Matos e Antonio Vieira não estão sendo lidos – e muito menos influenciam ou teriam influenciado a poesia brasileira. As obras desses autores interferem muito mais no discurso político do que na prática poética. No Brasil, o Barroco não teve desdobramento. Não temos um escritor da estirpe de José Lezama Lima, Alejo Carpentier, Sarduy, García Márquez (na apresentação deste diálogo, Ronaldo Costa Fernandes agrega bem Guimarães Rosa, e poderíamos agregar ainda Ariano Suassuna, ainda assim ficaria faltando um nome na poesia). Se algum resquício do Barroco ficou na modernidade da poesia brasileira, ele se encontra em Murilo Mendes e Jorge de Lima, que ganham redimensionamento após a redução do crédito das vanguardas. Nunca estudei as influências dos autores estrangeiros na poesia brasileira. Mas aventuramos a dizer que o primeiro grande impulso veio de Victor Hugo, pois Castro Alves – que proclamava a presença do francês em seus poemas – é um dos mais aclamados poetas da história de nossa literatura. Portanto, a poesia brasileira demorou a afastar-se do pieguismo condoreiro, já que o seu amadurecimento só se deu com o advento do Romantismo. Até hoje se espera do poeta brasileiro que ele seja condoreiro, inflamado, de sangue amoroso, de exaltação à pátria. Esquecem que a poesia não existe para aquecer o coração, mas para enriquecer a língua, para alargar as possibilidades das palavras. No entanto, ainda existe um segmento que deve ser desligado da poesia de pós-vanguarda, pois seus praticantes se limitam a recortar o cotidiano. Trata-se de uma poesia fria, sem sonoridade, sem ligação com a realidade. Trata-se de uma poesia perigosa, que saiu da Poesia Marginal, mas sem entendimento tanto do Modernismo como das Vanguardas. Mas, Victor Sosa, por que a sua transferência da América do Sul para o México? Havia alguma busca de outra realidade? de outras poéticas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Victor Sosa: No mundo hispano-americano, a verdadeira identidade poética começou com Rubén Dario, que soube reciclar bem a poesia francesa, sobretudo dos simbolistas e parnasianos (evitando a medíocre poesia espanhola do século XIX), e criando assim o Modernismo, o primeiro movimento poético realmente americano, que significou a maioridade diante desses venerados “pais” e “mestres” das metrópoles européias. Com Dario também se produz uma reacomodação, uma demarcação e um novo canal para a herança do barroco espanhol em nossas terras. A originalidade e a força de Dario – sobretudo dos Cantos de vida e esperanza – é enorme, e o nicaragüense terá uma inegável influência inclusive naqueles poetas fundadores da vanguarda: Vallejo, Huidobro, Neruda, Girondo (que não o negaram: “superaram-no” atendendo outros chamados do discurso poético). Não sei ou, melhor dizendo, não creio que no Brasil e na língua portuguesa tenham um antecedente desse tipo. Creio que todos nós, escritores latino-americanos, estamos em débito com Dario, incluindo Lezama Lima, Octavio Paz e muitos outros, e não me refiro a uma continuidade estilística (o Modernismo hispano-americano está bem morto e enterrado), mas, como tu dizes, para esse “enriquecimento da língua e para alargar as possibilidades da palavra”. Dario foi o primeiro a “enriquecer” e “alargar” e a levantar a voz acima dessa medíocre mimese a que estavam habituados seus contemporâneos. Foi o grande guru que insuflou a necessária confiança e auto-estima para que outros criadores abrissem seus próprios caminhos, e esses caminhos podem ser Trilce, de Vallejo, ou Altazor, de Huidobro, entre as mais imorredouras obras da poesia hispano-americana.&lt;br /&gt;Quanto ao que dizes de Murilo Mendes e Jorge de Lima, penso que seu barroquismo, sobretudo neste último, passa pelos sinuosos meandros do surrealismo. Na América Latina barroco e surrealismo confluem com naturalidade, dir-se-ia que surrealismo chega para reavivar e deixar em dia a tradição barroca americana. Aí está Carpentier, e, sobretudo, Lezama, ou Reinaldo Arenas de El mundo alucinante. Trata-se de metamorfoses e de encarnações desses mesmos sopros que chegaram com a Conquista e que ainda continuam impulsionando a criação por estas terras.&lt;br /&gt;Quanto à tua pergunta sobre essa transferência da América do Sul para o México, a resposta é simples: como tantos sul-americanos, coube-me viver a condição nômade imposta pela época, pelas ditaduras militares e pelas crises econômicas. Até aí tudo óbvio, sem dúvida, mais além do óbvio está o obtuso, esse escuro desejo de sair do mundo excessivamente previsível, o Uruguai, e encontrar outras realidades, outros desafios e, portanto, outras poéticas. Talvez sejam poucos os que emigram por motivos poéticos (teria que propô-los ao ACNUR – Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados), mas estou convencido que todo nomandismo, – seja imposto ou seja voluntário – implica uma mudança, uma transformação das coordenações poéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salomão Sousa: Não reconheço na Língua Portuguesa um poeta que servisse de fio condutor para permanentes delimitações poéticas, ou para consolidação do modernismo, como pretendes. Basta reconhecer que não há em Portugal uma figura central no Barroco, que impulsionasse as gerações futuras, seja lá ou aqui no Brasil. De Espanha, ao contrário, a luz das Soledades, de Gongora, continua a iluminar até nossos dias, comprova essa clarividência o romance Cem Anos de Solidão (o título desse livro sai de um verso gongórico). Apenas Camões continua, sem que isso seja uma marca registrada, ao longo do tempo, a alimentar a lírica, que não é uma faceta marcante do modernismo. Talvez os brasileiros, no entanto, tivessem uma resistência natural aos poetas portugueses, já que era a cultura do colonizador, para que tenham tido necessidade de buscar nos franceses e nos alemães rumos fortificadores para uma poesia que aumentasse a potência do grito de independência.&lt;br /&gt;É de 1905 a edição dos Cantos de vida e esperanza, que contribuiu para a formação da poesia latino-americana. Três publicações, que saíram não tão distantes do livro de Rubén Dario, delimitariam novos rumos para a poesia brasileira: Últimos cantos (1851), de Gonçalves Dias; Os escravos (1883), de Castro Alves; e Eu (1913), de Augusto dos Anjos. Não que esses livros balizassem a poética nacional, ou que daí saíssem os rudimentos reais do modernismo, mas pelo menos fundaram a necessidade de delimitação de um novo solo pátrio, pois só daí é possível submergir as ramificações frutificativas da poesia. É bom abrir um parêntese – Gonçalves Dias anda pouco estudado por aqueles que buscam as fundações da cultura brasileira. A sua poesia tem raízes mais profundas do que o que tem alcançado as escavações dos pesquisadores.&lt;br /&gt;Enquanto não surgisse uma burguesia, principalmente paulista, que conseguisse acesso à cultura, o modernismo não se integraria nestas plagas. E o progresso não seria ainda assim tão fácil, pois só a segunda fase do modernismo produziria os grandes poetas brasileiros. Aqueles da Semana de 22 produziram uma poesia libertadora, mas irresponsável com a sonoridade e com a elegância metafórica, já que foram apressados e festivos. E a poesia exige introspecção, recolhimento. E talvez o modernismo só se amadurecesse na terceira fase. Ou quarta. Pois só em 1952 seria publicado Invenção de Orfeu, de Jorge de Lima, e, de 1965, Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto. E nenhum desses livros descende em linha direta de Castro Alves, Gonçalves Dias ou Augusto dos Anjos. Para o surgimento da poesia do amadurecido modernismo brasileiro, muitas águas teriam de entrar ainda por nossas fronteiras.&lt;br /&gt;Muitos vão chiar pela ausência de Manuel Bandeira, que transitou quase em todas as fases do Modernismo. Ou mesmo de Carlos Drummond de Andrade. Acontece, no entanto, que estes não foram poetas inventores, mas praticantes da eterna linhagem lírica. E dessa linhagem, sejam as vanguardas ou os barroquismos, nenhuma corrente da poesia pode se afastar ou a crítica de qualquer tempo pode condenar.&lt;br /&gt;A poesia brasileira, desde os árcades mineiros, esteve sempre relacionada aos movimentos de emancipação. Antes de se preocupar com as negações de uma mimese lingüística, as correntes poéticas precisavam fundar a Pátria. Até hoje, sempre que se faz poesia, se faz por emancipação. Não é à toa que todo movimento de vanguarda é repudiado no solo pátrio. Talvez as vanguardas só sejam aceitas, sem vilipêndio, em solos desenvolvidos, que não tenham de buscar independência econômica. Mas este já é um tópico que está bem à frente do Barroco e do Modernismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Víctor Sosa: Certamente: Portugal não teve nenhum Góngora, nenhum Quevedo, tampouco –nesse oposto extremo da Língua– nenhum San Juan de la Cruz; o Século de Ouro espanhol talvez tenha sido uma feliz especificidade desse outro lado da Península Ibérica. Sem dúvida, depois desses três portentos do Século de Ouro, a poesia espanhola viveu um prolongado declive que só seria superado com a geração de 98 (Antonio Machado, Juan Ramón Jiménez) e, sobretudo, com a de 27 (Lorca, Alberti, Miguel Hernández, Jorge Guillén, entre outros), inclusive é essa inquieta geração –que tinha lido Mallarmé, Valéry e os surrealistas– que resgata Góngora do esquecimento. Muito já foi escrito sobre esse tema, mas recordemos o mais importante: a leitura que os jovens espanhóis daqueles anos fazem de Góngora só é possível graças à leitura dos poetas franceses e, principalmente, de Mallarmé. Sob esse filtro, sob essa nova preocupação com a forma, com a sonoridade e com a “tectônica” da palavra, é que Góngora adquire um estatuto “moderno”, se torna legível e de interesse para a visão poética do século XX. Como dizia Borges: cada escritor cria seus antecessores e, assim, reinventa o passado. Aquele Góngora incompreendido e esquecido durante mais de duzentos anos, logo advém como referência e autor de culto para certas gerações de poetas do século XX espanhol e, logo, latino-americano. Mas, insisto, isto não teria sido possível sem essa grande revolução da sensibilidade –e da “razão” poética– que aconteceu na França desde meados do século XIX até adiantados do século XX. A leitura que fazemos de Góngora é uma leitura moderna, uma leitura – se me permites o termo – “interessada” pela modernidade, vale dizer, traspassada e condicionada por esta; uma leitura, claro, nada inocente e tão diferente como distante da que podia fazer o homem do século XVII.&lt;br /&gt;Sem dúvida, além deste renascimento da lírica espanhola, os poetas hispano-americanos mais relevantes viviam sob a influência francesa: lembremos que Huidobro escreve nessa língua seus primeiros livros sob os efeitos do cubismo; Neruda, Vallejo e Girondo recebem influências do surrealismo; nenhum deles desconhecia Mallarmé e os poetas simbolistas. A América hispânica do século XIX e começos do século XX, culturalmente falando, estava mais próxima da França que da chamada Mãe Pátria. Não é nada extraordinário: a França continuava sendo até então uma das referências mais importantes não só no campo da cultura mas também da política, da filosofia (o positivismo de Comte teve seus melhores frutos na América Latina com os governos liberais –penso no Cone Sul: Argentina, Uruguai, Chile– e os despotismos ilustrados –penso no México do ditador Porfirio Díaz–), da urbanística e dos “bons costumes” (do uso do haxixe até o prêt-à-porter). Mas a América Latina – nas suas duas principais vertentes: lusitana e espanhola – não são a exceção; o mundo inteiro estava sob domínio francês (de Buenos Aires a São Petersburgo) como hoje todos estamos sob domínio norte-americano. Nesse sentido, não acredito que os brasileiros tenham buscado esses “rumos fortificadores” como resistência à cultura dos colonizadores portugueses. Se Portugal tivesse sido nesses momentos uma potência cultural vigorosa e propositiva, seguramente o Brasil não teria podido evitar essa influência – e junto ao Brasil muitos outros países de outras línguas. Acredito que o território das artes não pode ser compreendido como um problema de colonizados e colonizadores (ainda que alguns modernistas tenham entendido assim). A arte não vai necessariamente de mão dada com o afã imperialista; a Alemanha nazista ou a Rússia stalinista não exportaram uma só idéia ou influência artística para o resto do mundo, se eram, naquele momento, impérios poderosos. Não sabemos (ou, pelo menos, eu não sei) por que uma cultura se expande, se ramifica e permeia outras culturas criando um código comum, um entendimento e um usufruto consensual. A decadência dos impérios da Espanha e de Portugal pode e tem muito a ver com a riqueza cultural da Francia monárquica e republicana, mas não explica ou encerra o assunto por um mecanicista entendimento do fiel da balança.&lt;br /&gt;Acredito que o Modernismo da Semana de 22 também provém dessa vertente que passa por Mallarmé, Apollinaire e Marinetti, e pouco deve a um poeta como Augusto dos Anjos, no entanto, devedor da estética romântica do século XIX. É verdade que o modernismo brasileiro foi mais importante como atitude, como descondicionamento cultural e como revolta nas artes e nas letras de teu país, que como criador de obras imorredouras ou poéticas imprescindíveis. Certamente: depois da explosão inicial o terreno começa a cimentar-se com nomes como o de João Cabral de Melo Neto (que já não é, propriamente dito, modernista), com una técnica e uma depuração compositiva que não tinha o modernismo; mas João Cabral está mais próximo (e não só cronologicamente) da experiência concreta e neoconcreta de Ferreira Gullar, Haroldo e Augusto de Campos e de tudo o que Noigandres significa dos anos 50 por diante. Drummond de Andrade é um caso interessante por ser o poeta mais popular do Brasil, mas, em meu modo de ver, sua obra se empobrece à medida que fica mais popular. Bandeira foi importantíssimo como ponte entre a tradição e a vanguarda, o coloquialismo e o humor de sua poesia já prefiguravam a irreverência modernista antes de 22 – eu gostaria de compará-lo com Apollinaire em relação ao surrealismo.&lt;br /&gt;Após chegar a este ponto (mesmo esperando que aprofundes, a partir de tua óptica brasileira, o que foi dito anteriormente por mim), que o próximo tópico que se impõe ao nosso diálogo é o da poesia concreta. Que importância tem para ti? É uma continuidade do modernismo e do espírito de 22? Ainda tem vigência como tendência poética?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salomão Sousa: Talvez eu tenha sido um tanto impreciso quando disse que a poesia brasileira refutou a linguagem do colonizador. Não houve refutação enquanto ato de absorver uma poética, pois, se nada era derramado por aqui, nada havia o que entranhar na pele produtiva, mas, talvez num ato apenas defensivo, de resistência aos mandatários, houvesse preferência (termo excessivamente forte, pois em relações culturais não há preferências, já que as variáveis de uma aculturação são diversas) pelas linguagens de outras nacionalidades, mais libertárias. Ainda mais que o português não permitiu o rápido florescimento da cultura na colônia. Quase três séculos se passaram desde o descobrimento até haver preocupação com um parque que envolvesse universidade, teatros, imprensa. A cultura –aí sim o Barroco teve importância, sobretudo no Barroco Mineiro, com Aleijadinho– se limitava ao imaginário religioso. E essa preocupação não estava voltada para emancipação, mas para atendimento do filho do colonizador. Até os pórticos do Século XX, os livros eram impressos na Europa. Tenho insistido em lembrar àqueles que procuram menoscabar o cânone brasileiro que a nacionalidade brasileira é muito recente, que ainda está em formação em comparação com a civilização européia.&lt;br /&gt;Para contrapor a ausência do Barroco nas letras brasileiras, talvez eu tenha minimizado a importância do Arcadismo. Pois, já que o Barroco foi inexpressivo na Língua Portuguesa, os árcades mineiros se valeram do Classicismo para legitimação de uma poética e de uma nacionalidade. Como os árcades tinham a prerrogativa da camuflagem embaixo de nomes de pastores, puderam somar a ação política à prática poética nos mesmos disfarces. Trata-se de movimento que aos poucos vai sendo recuperado, principalmente com a edição crítica da produção do período. Talvez o Arcadismo ainda vá se firmar melhor que o Parnasianismo ou do que o próprio Simbolismo. Serviu para a cor local do Romantismo e do Modernismo.&lt;br /&gt;No meu parco entendimento, acredito que a expansão da cultura se dá em momentos de polarizações econômicas de uma nacionalidade. Só a expansão econômica não motiva o florescimento da cultura. Se assim fosse, o cinema norte-americano não seria tão pernicioso para a desestruturação do indivíduo em outras nacionalidades. Quando uma nação se expande em excesso, ela pode querer impor o medo em vez de querer ditar modelos culturais. Agora, quando uma sociedade avança economicamente, com uma burguesia interessada em interferir no espírito da humanidade, pode ocorrer o florescimento cultural capaz de interagir com outras culturas. Por isso, temos de ter muita cautela na aceitação do Concretismo. Ele floresceu num instante em que a burguesia tinha perdido todas as bandeiras, fossem elas políticas, artísticas ou econômicas. Assim, o Concretismo passou a ser uma espécie de expansão do urbanismo, já que a burguesia não conseguia habitar mais do que aquilo que conseguia construir. A arte passou a ser a expansão da habitação, aquela parcela que não precisava mais ser habitada. O burguês não precisava habitar nem mesmo com interpretação, já que a interpretação exige a presença do indivíduo em suas interações sociais. E o burguês já estava doente do individualismo que não quer ombrear com o outro.&lt;br /&gt;Salutar o encontro, nas tuas interpretações, de vertentes da formação da poesia brasileira, que até os críticos insistam em negar ou desconhecer. Neste momento, eu diria que há um pequeno grupo, que gira em torno da Folha de S.Paulo, preocupado em não desgarrar o umbigo das vanguardas. Não é à toa que outras linguagens não conseguem furar o dominador bloqueio crítico da imprensa paulista. E, para contrapor, diversos segmentos nacionais –sem que tenha noção explícita da situação– condenam o Parnasianismo, mas praticam um velado Simbolismo. Eu não compreendia essa atual necessidade simbolista da poesia brasileira, mas, neste instante, através do nosso diálogo, compreendo que, numa fuga das vanguardas, algumas vertentes preferiram leitos imantados do Simbolismo, que não irão alcançar terrenos sólidos, já que eles vão contra o desaguar natural da formação poética brasileira.&lt;br /&gt;Depois do Modernismo de 22, muita coisa aconteceu na poesia brasileira. Só para entrelaçamento com as tuas observações sobre o positivismo, chegamos a ter até o movimento Verde Amarelo, capitaneado por Plínio Salgado e Cassiano Ricardo, de cunho nazi-fascista. Dessa bandeira ficou o jargão “Ordem e Progresso” em nosso pavilhão. Quando Cassiano Ricardo acordou para a situação, bandeou para a práxis. No auge do modernismo, alguns chegaram a reagir com situações mais formalistas, instaurando o movimento da Poesia de 45. Só que o Concretismo não seria reação pura e simples a esses movimentos. Vinha acompanhado das novas visões urbanísticas – basta ver a passagem de Le Corbusier pelo Brasil e por outros países da América Latina pregando a ampliação do ambiente em novas formas. Basta ver o retorno de Oscar Niemayer das aulas de Le Corbusier, em Paris, pronto para enfrentar o concreto de Brasília. A burguesia queria mudar a visão exótica da paisagem brasileira. JK buscava inserir o Brasil entre as grandes nações.&lt;br /&gt;Os concretistas entraram nesse vácuo e contribuíram para colocar o Brasil na vanguarda literária das outras nações, sem a necessidade de atribuir à poesia o papel emancipacionista da nacionalidade. Não só os concretistas contribuíram para levar a poesia brasileira a outros rincões, também o intercâmbio diplomático (Vinicius de Morais, João Cabral, Murilo Mendes e Alphonsus de Guimarães Filho atuando no exterior, e Ungaretti dando aulas em universidades brasileiras). Só a partir daí a poesia brasileira passou a ter uma exterioridade. Temos de reconhecer, portanto, que o Concretismo, aliado aos movimentos periféricos como a práxis e o poema-processo, além de atribuir essa exterioridade à poesia brasileira, fundou a plasticidade e a poeticidade do verso sem a necessidade da excessiva paisagem, dos símbolos, da contestação. A frase não seria mais a mesma. O formato do livro, para comportar o novo poema, não podia ser mais só retangular. O Concretismo, aberto o portal do novo século, não tem mais importância como prática poética, apenas é a porta aberta para inserção de justeza ao verso, mesmo quando este quase inexista.&lt;br /&gt;Mesmo nada sendo derradeiro, será que há um novo processo poético na poesia latino-americana? Com tantas vertentes, será que há retrocesso? Como não vivi a tradição do Barroco, tenho procurado um verso de pós-vanguarda, em que as palavras não tenham necessidade da interferência de muitas sinalizações. Grande parte da poesia brasileira, que tem valido como cânone, tem se preocupado com um certo realismo do fragmento, onde no poema saltam apenas situações impenetráveis. Não me satisfaz mais uma poesia de um conteúdo específico, ou de fragmento realista. Se tiver de ser impenetrável, que seja pelas próprias referências da língua e não através do isolamento de fragmentos da memória pessoal. Dentro da fragmentação do pessoal, a poesia deixa de existir fora do centro do próprio poeta, principalmente numa época cultural de predomínio do visual, em que não ficam claras as experiências culturais com a palavra escrita para desmembramentos de significados que não nadam na superfície. E acredito que é na fundação destes novos parâmetros que temos de levar o nosso diálogo a termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Victor Sosa: A poesia concreta foi uma continuidade do espírito modernista que se viu eclipsado pelo conservadorismo da Geração de 45. Foi, também, uma maneira de pôr em dia a poesia brasileira diante do desenvolvimento e industrialização que marcaram as grandes urbes (principalmente São Paulo), na década de 50. Disso já sabemos e soa retórico repeti-lo aqui, mas repito-o para enfatizar a especificidade brasileira, já que em toda América Latina (e nem é preciso falar dos Estados Unidos) se produz um grande crescimento urbano e industrial na década; no entanto, nem na cidade do México, nem em Buenos Aires nem em Lima (tampouco em Nova Iorque) se produz um movimento poético da importância programática que teve o Concretismo. Novamente, as condições histórico-sociais não explicam a arte. A existência e a inteligência dos irmãos Campos, Décio Pignatari e alguns outros, possibilitaram a criação do Concretismo e sua importante ramificação em outros poetas e poéticas, inclusive além do Brasil. Como toda vanguarda, o Concretismo, principalmente na etapa heróica, definhou por intolerância e dogmatismo: reflexos condicionados que repetiam uma gestualidade proveniente dos futuristas e construtivistas russos e desse fabbro chamado Pound. Sem dúvida, é enorme seu legado poético; os concretistas nos fizeram ver ou re-valorizar a importância da linguagem como estrutura concreta, sua objetividade, sua sonoridade, sua espacialidade sobre a página. Muitos de nós, poetas que cresceram ao longo da década de 70, não podíamos evitar (melhor, víamos com sumo interesse) as ressonâncias que nos chegavam do Brasil e, fato importante: o Concretismo encarnado nas músicas de Caetano Veloso e nalguns outros tropicalistas que experimentavam e inovavam a MPB. Essa relação entre alta cultura e cultura popular sempre me pareceu admirável e muito específico dos brasileiros, nada parecido acontece nos países hispano-americanos. Em suma: odiado, admirado, criticado, negado, o Concretismo continua sendo uma referência central quando falamos de poesia brasileira e é presença em muitos poetas e poéticas que poderíamos denominar de pós-vanguardistas.&lt;br /&gt;Penso em Leminski, em Glauco Matoso, em Arnaldo Antunes, em Wilson Bueno, em Cláudio Daniel, em Ricardo Corona, em Rodrigo Garcia Lopes, entre outros. Poetas e poéticas dissímeis, mas que provém ou transparecem uma raiz comum. O Concretismo, como um vulcão, fertilizou o terreno da poesia brasileira e estamos vendo e desfrutando esses frutos. Acredito que hoje, no Brasil, está sendo escrita a melhor, a mais vital e propositiva poesia do Continente. Sem sectarismos nem planos pilotos, os poetas pós-vanguadistas assimilam, reciclam, se apropriam e criam um discurso híbrido, uma mestiçagem estilística que passa pelo neobarroco, o uso do portunhol e a ruptura dos gêneros. A co-habitação na diferença é uma das características mais saudáveis dos tempos que correm e essa atitude define, também, o fim da era das vanguardas que no Brasil teve seu momento mais “puro” com os poetas concretistas. Outro sintoma dessa saúde se vê nas muitas publicações de qualidade que, de uns tempos para cá, têm surgido no Brasil: et cétera, Oroboro, Coyote, são, entre muitas outras, algumas das revistas especializadas ou que dão grande importância à produção poética. Esse fenômeno é quase inexistente no resto da América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salomão Sousa: Só a pós-vanguarda não arremata as vertentes da poesia brasileira, que vive, atualmente –e sempre foi assim, basta lembrar Auta de Souza, Sousândrade, Kilkerry, Sosígenes Costa, Zila Mamede, José Godoy Garcia–, peculiares situações periféricas, a maioria ainda rejeitada por ter atuado na província. Mas como lembra de forma correta Paulo Henriques Britto, em entrevista recente, há pluralidade de linguagens, mas acabaram as divergências, pois essas linguagens não mais obrigam os poetas a se firmarem em grupos ou a renegar correntes divergentes. Os suplementos e as revistas em circulação não fermentam nenhuma divergência ou vontade de definições mais ousadas. Sem que haja definição crítica, –há muito mais preocupação em saudações de compadrio–, há espaço para neo-simbolistas, numa lembrança rápida: principalmente em Goiás, com Valdivino Braz e Delermando Vieira; do maranhense Luís Augusto Cassas e do amazonense Aníbal Beça, que também se ajustam ao neobarroco e ao lírico modernismo. Espaço ainda para revitalizadores do Modernismo, com muita acolhida na grande imprensa, oriundos da poesia marginal –saudosistas de Leminski– e seguidores de Mário Quintana, Manuel Bandeira e Vinicius de Morais, além de reflexo da fluência de Fernando Pessoa em nosso meio acadêmico. E esses representam parcela significativa dos novos poetas brasileiros, exemplos podem ser encontrados em Chico Alvim, Nicolas Behr, Carpinejar, Ana Miranda, e tantos outros. Mas esses caem em lugares comuns, ou em flexões óbvias de situações do cotidiano. Os versos de comunicação explícita, só que de poética inconseqüente – veja em Ana Miranda: E Jesus desceu da cruz/para nos salvar. E ela, que pesquisou tanto a obra e a vida de Gregório de Matos, detinha grandes chances de ter se aproximado da vanguarda do neobarroco. Até uma poeta veterana como Adélia Prado –filha tardia do modernismo– se viu chamada a descambar para a “epifania”, comprometendo aquele fluxo inicial de galante lirismo e realidade, levado com justiça ao pedestal por Drummond. Há, ainda, espaço para aqueles que regridem para espaços formais já encerrados com a Geração de 45, como é o caso de Alexei Bueno e Bruno Tolentino. O grupo que transita em torno da revista Inimigo rumor e da Editora 7 Letras, com liderança de Carlito Azevedo e Ronaldo Polito, quase sempre pratica um modernismo minimalista, com impenetrabilidade, apesar de não tender para o surrealismo. Destaques merecem Micheliny Verunschk, Eucanaã Ferraz e Cláudio Daniel, que animam esperança para equilíbrio entre a tradição e a pós-vanguarda. Há juventude poética na jovem Verunschk, e certamente sua poesia logo alcançará resistente arcabouço formal. Há espaço para rebeldias líricas, em vozes femininas, aqui pode ser destacado com pertinência o lugar cativo alcançado por poetas como Orides Fontela, Hilda Hilst, Marialzira Perestrelo, Yêda Schmaltz e, no minimalismo zen, Cristina Bastos. Situação peculiar é a poesia de Iacyr Anderson de Freitas, que transita entre o classicismo e a pós-vanguarda lírica. Junto com Paulo Henriques Britto e Marcos Siscar, Iacyr redireciona a poesia brasileira para uma linguagem convincente, animadora de crítica, inventividade e emoção. Pois não basta ser herdeiro das vanguardas, do Modernismo, do Barroco e das vertentes do surrealismo. Não é necessário transgredir, mas progredir dentro da língua, nas possibilidades sonoras, significações, abundância de aliterações, sempre aliadas ao bordado das questões sociais, riqueza dos costumes, sincretismos religiosos, volume dos vocábulos que saem da natureza e desses sincretismos. Há displicência na maioria dos poetas brasileiros atuais –e eles poderiam se espelhar nos exemplos dos modernistas e dos concretos– quanto à compreensão de sua herança cultural e a definição de uma poética para uma postura produtiva a esse pós-tudo.&lt;br /&gt;Saudável que o diálogo sobre a poesia seja sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema de Victor Sosa&lt;br /&gt;Tradução: Salomão Sousa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar de ser: sair&lt;br /&gt;Não ser mais o pássaro na rama&lt;br /&gt;nem a rã em sua lama; ser a pedra&lt;br /&gt;de toque voraz, pedra rodada&lt;br /&gt;pelo mundo: canto; não ser&lt;br /&gt;mais a pedra ser a árvore presa&lt;br /&gt;à curva terráquea, árvore&lt;br /&gt;votiva, cheia de pássaros vazia de copa&lt;br /&gt;árvore que fala em sussurros; não ser&lt;br /&gt;mais a árvore ser o fruto&lt;br /&gt;da estação que se anuncia, fruto&lt;br /&gt;do trabalho e fruto proibido&lt;br /&gt;do prazer; por exemplo: essa maçã&lt;br /&gt;no sexo da garota; não ser&lt;br /&gt;mais o fruto ser a garota&lt;br /&gt;que olha na janela, o que olha a garota?&lt;br /&gt;olha as costas da Argélia, olha as Costas do Marfim&lt;br /&gt;olha! ali vai Ulisses; não ser&lt;br /&gt;mais a garota ser Ulisses, ileso&lt;br /&gt;de sereias em sua Ítaca; não ser&lt;br /&gt;mais sua Ítaca ser Minotauro sem medo&lt;br /&gt;e ferir a virilha da moça inglesa&lt;br /&gt;que pode ser Ariadne, que pode ser o pássaro&lt;br /&gt;quetzal ou Quetzalcóaltl, o deus que disse adeus&lt;br /&gt;porque deixar de ser é ser como ele: se passar&lt;br /&gt;por colibri e não se passar pela noiva&lt;br /&gt;não pensar em Esperança quando chegar&lt;br /&gt;a desesperança, e é certo&lt;br /&gt;que a desesperança chega já que é afluente&lt;br /&gt;é dilúvio e é pranto militar; deixar de ser&lt;br /&gt;será desfazer o poema em seu iglu&lt;br /&gt;declinar Juana de Ibarbourou, saudar&lt;br /&gt;sobre a ponte do Brooklyn com a esquerda&lt;br /&gt;e benzer com a direita; será&lt;br /&gt;não dar as horas a César; dar graças&lt;br /&gt;e fechar o serviço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixar de ser: caminhar sobre as águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poema de Salomão Sousa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;àqueles que não acreditam&lt;br /&gt;que habitarão as noites&lt;br /&gt;àqueles que habilitam&lt;br /&gt;as cercanias do vazio&lt;br /&gt;não falarei de urtigas&lt;br /&gt;não direi que vi&lt;br /&gt;as galhadas das murtas ao sol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqui está a língua&lt;br /&gt;que dá gosto às palavras&lt;br /&gt;e não ficarão mudas&lt;br /&gt;as traças dentro dos ossos&lt;br /&gt;não direi que vi as gargalhadas&lt;br /&gt;de membrudos inimigos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não direi que aos seus ombros&lt;br /&gt;encostei a dor e deitei a luz&lt;br /&gt;ainda que as noites insistam&lt;br /&gt;as asas das peçonhas&lt;br /&gt;deixo a sabedoria do orvalho&lt;br /&gt;que dá bravura às raízes secas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-1223756188846830699?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/1223756188846830699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=1223756188846830699' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/1223756188846830699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/1223756188846830699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/dilogo-sobre-as-fundaes-da-poesia.html' title='Diálogo com Victor Sosa'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-1446307179116792349</id><published>2007-03-27T10:17:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T10:18:14.164-07:00</updated><title type='text'>Entrevista ao Vassil Oliveira p/O jornal da Segunda</title><content type='html'>À semelhança do que acontece com as grandes festas literárias de Parati (RJ) e Passo Fundo (RS), a cidade de Goiás — conhecida até no exterior como a terra da poeta Cora Coralina — sedia o primeiro Festival de Poesia de Goyaz, com a presença de alguns dos mais significativos poetas e estudiosos de poesia do país. As várias vertentes da poesia da atualidade são debatidas em seis grandes painéis, sendo o primeiro deles com exposição do goiano Gilberto Mendonça Teles, além de oficinas literárias, sessões de recitais, exposições e dezenas de lançamentos.&lt;br /&gt;O evento só se tornou financeiramente viável através de um pool de patrocinadores do estado de Goiás. Os coordenadores, Adalberto Müller Jr (também poeta) e Graça Ramos, enfatizam que o evento busca integrar regionalmente o Brasil. “A poesia é o elo, Ela nos une nacionalmente e culturalmente, porque torna a nossa língua mais bela e inteligente.”&lt;br /&gt;A sessão de abertura, em homenagem ao poeta Manoel de Barros, contou com mini-conferência do professor José Fernandes (UFG), pois o crítico goiano foi um dos primeiros a fazer análise da produção do poeta mato-grossense.&lt;br /&gt;            Como parte do evento, o Prêmio Goyaz de Poesia premia três autores em certame de âmbito nacional. Os vencedores ganham já em abril a publicação das obras vencedoras através da Editora 7Letras, com distribuição nacional. A comissão julgadora foi constituída pelas professoras Ligia Cademartori (DF) e Célia Sebastiana da Silva (GO) e pelo escritor Ronaldo Costa Fernandes (DF).&lt;br /&gt;Salomão Sousa, goiano residente em Brasília, como um dos premiados do Prêmio Goyaz de Poesia com o livro Ruínas ao Sol, analisa em entrevista especial à Tribuna a importância do Festival de Poesia de Goyaz, o seu processo criativo e aspectos da poesia brasileira.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que representa o Festival de Poesia para os escritores de Goiás?&lt;br /&gt;Salomão Sousa – Sempre que se realiza um evento de tamanha envergadura, todo aquele que não aparece na grade da programação acaba fazendo leitura desanimadora. Dois vetores já são suficientes para justificar a importância do festival em Goiás. Antes de tudo, para quebra de isolamento dos escritores do Centro-Oeste, pois — acredito — um dos seus objetivos é a promoção do intercâmbio de informações e de relacionamento entre os poetas de todos os Estados. E, para alcance de intercâmbio, cada um tem de abrir concessões. Aos goianos e candangos, cabe a abertura de seus salões, a apresentação de sua poesia, e garantia de abertura de processo crítico, sem perda da elegância e da hospitalidade. A hospitalidade crítica também é fundamental para o intercâmbio cultural.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Estado de Goiás está suficientemente representado no evento?&lt;br /&gt;Salomão Sousa — Sem dúvida alguma o Estado de Goiás ficou bem representado, principalmente quando coube a Gilberto Mendonça Teles a responsabilidade dos debates da primeira Mesa dos trabalhos, pois nenhum outro poeta representa hoje melhor a poesia goiana. Ele tem respeitabilidade pelos estudos crítico e histórico da literatura brasileira, e tem produção poética conhecida nacionalmente. Com a perda recente de José Godoy Garcia, de Afonso Félix de Souza e de Yeda Schmaltz, a poesia goiana só poderia estar presente com Gilberto Mendonça Teles. Quanto à realização do festival na cidade de Goiás já é sinal de veneração por Cora Coralina. Todo aquele que se faz presente ao festival ou que dele tomar conhecimento inevitavelmente vai fazer reflexões sobre a presença de Cora Coralina, já que ali é a sua terra, sem esquecer que parte da programação acontece na casa dela, em que ela viveu e produziu a obra que todos conhecem. E Augusta Faro e Miguel Jorge, apesar de não serem reconhecidos como poetas, são aqueles que melhor se relacionam com a literatura de outras localidades, já que seus livros alcançam o mercado nacional. E Heleno Godoy — o poeta goiano que mais pesquisa a linguagem da poesia —, por seu passado polêmico, não pode ser menosprezado. Tem auxiliado no debate crítico da poesia no meio acadêmico. Em nome do intercâmbio, alguém acaba perdendo a oportunidade de estar na grade da programação, como é o caso de Brasigóis Felício e de Goiamérico Felício, e muitos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos convidados das outras regiões — eles representam as várias vertentes da poesia brasileira?&lt;br /&gt;Salomão Sousa — Sinto ausência apenas dos marginais de Minas Gerais, que sempre animam os eventos em que estão presentes. Ainda nesse ano, realizou-se em Belo Horizonte um encontro especial só para homenagear a obra de Rogério Salgado. Mas poderíamos dizer que na vertente de uma poesia voltada para a comunicabilidade, sem invenção, com preocupação com o mercado, comparecem Carpinejar, Antônio Cícero, Ivan Junqueira e Affonso Romano de Sant’Anna. Como representante de uma poesia preocupada com a tradição moderna, de construção, comparece Paulo Henriques Brito. Só a representatividade da poesia marginal, por ser corrente que não está mais em voga, ficou excessiva. Apesar de os marginais viverem uma crise de identidade — pois estão reconhecendo a necessidade de amadurecimento dos textos —, não chega a ser negativa a extensão da lista dos convidados, pois não podemos negar que eles são mestres em interatividade nas performances públicas. A poesia da pós-modernidade está bem representada. Aos nomes de Micheliny Verunschk (que ainda tem muito para dar, principalmente na depuração objetiva dos poemas), Carlito Azevedo e Fabiano Calixto poderiam se juntar diversos outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia brasileira atual tem uma cara? E poderíamos dizer que a poesia de Goiás está desenhada nela?&lt;br /&gt;Salomão Sousa — A poesia sempre vive de glórias do passado. É raro um poeta cair no gosto da crítica logo no primeiro livro lançado. Adélia Prado é o último poeta que o Brasil aceitou de forma unânime desde o primeiro livro (Bagagem, que é um clássico). Depois sobra Manoel de Barros, e, sem unanimidade, Ferreira Gullar. Mas há um lado positivo na poesia atual — a experimentação, a busca, a dúvida quanto às dicções. Cada um está procurando caminhos próprios — por isso a diversidade das linguagens da pós-modernidade da poesia brasileira. Não basta mais o lirismo, a vanguarda ou mesmo a poesia marginal. Essas correntes não têm nada mais para dar. E, num primeiro momento, toda experimentação soa com estranheza. Os ouvidos precisam ser educados para as novas dicções. Para mim, Marcos Sciscar se destaca pela experimentação, e Paulo Henriques Britto, pela certeza, exatidão dos poemas. E, ainda, Iacyr Anderson Freitas (ficou fora do Festival), que consegue percorrer linhas líricas bem peculiares, com transgressões na tradição. Quanto a Goiás — além de poetas atuantes, mesmo sem estarem inseridos nas novas experimentações —, deve se esforçar para consolidar o nome de seus grandes poetas. Goiás não pode viver só da glória de Cora Coralina quando tem poetas muito mais importantes — basta lembrar José Godoy Garcia e Yeda Schmaltz. Jataí também tem de fazer um monumento para José Godoy Garcia, certamente seu maior ídolo, talvez maior que Toniquinho, que se imortalizou só por ter arrancado um compromisso de JK. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou em boa hora a premiação no Prêmio Goyaz de Poesia?&lt;br /&gt;Salomão Sousa — O prêmio demonstra para mim que não está sendo inútil o estudo que venho fazendo sobre os novos rumos da poesia da América Latina. Eu queria me alinhar um pouco mais com a poesia neobarroca — que eu chamo de pós-vanguarda —, sem, no entanto, me desvincular totalmente de minhas raízes goianas. O resultado é uma poesia mais ordenada, sem significar retorno à poesia medida, às linhas simbolista ou romântica. Outro dia eu estava ouvindo Miles Davis e tive o seguinte pensamento: eu nasci na modernidade e para a modernidade. Além do mais, a publicação de um livro inédito, agora em 2006, contribui para as comemorações do 25º aniversário do meu primeiro livro. E só o fato de receber o prêmio ao lado de Marcos Sciscar já me deixa duplamente premiado. Ele busca novas formas e, com isso, tem conseguido montar uma poesia das mais bem sucedidas dos últimos tempos. E não tem sido outro o meu propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está programando mais algum livro para as comemorações do 25º aniversário de publicação de A moenda dos Dias? &lt;br /&gt;Salomão Sousa — Sob o título geral de Safra quebrada, montei uma antologia dos meus seis livros publicados e acrescentei dois inéditos (Gleba dos excluídos, que reúne os poemas que não se encaixaram nos livros já publicados, e O marimbondo feliz, de poesia infanto-juvenil). Se não for frustrado na captação de recursos para viabilizar a edição, essa antologia será lançada também em 2006.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quais suas influências? Você acredita em escritor ingênuo, sem leitura, ou a prática da poesia requer uma preparação cultural para ela?Salomão Sousa — Não há literatura sem formação formal e sem reflexos da herança cultural do indivíduo que se propõe a ser poeta. A poesia de um determinado poeta é o somatório da encruzilhada de suas experiências junto à sociedade, à família, à região de seu país, às tradições, conceitos e preconceitos de seu grupo, somado aí o contato com a tradição da poesia. Se fosse desnecessária essa encruzilhada para o surgimento de uma nova dicção poética, todos se proporiam a ser Homero, Shakespeare — e todos chegariam a ser clássico antes de passar pela modernidade de seu tempo. Sem contar a anima poética, que é a grande desgraça do poeta, pois ele nunca terá certeza se vive com ela. As minhas influências remontam ao tempo em que eu andava de calça curta pelas capoeiras da Fazenda Calvo. Já naquele tempo aprendia o nome das árvores, a variação das cores do capim no escorrer das&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-1446307179116792349?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/1446307179116792349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=1446307179116792349' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/1446307179116792349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/1446307179116792349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/entrevista-ao-vassil-oliveira-po-jornal.html' title='Entrevista ao Vassil Oliveira p/O jornal da Segunda'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-3168704148946467265</id><published>2007-03-27T10:15:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T10:16:04.717-07:00</updated><title type='text'>Entrevista ao Pensar do Estado de Minas</title><content type='html'>1) Como você vê a evolução de sua poesia desde o primeiro livro, A moenda dos dias (1979), publicado há 25 anos, até hoje, com Ruínas ao Sol (2006)?&lt;br /&gt;Salomão Sousa: Nasci em 1952. Os poetas que nasceram no período em que eram lançados Invenção de Orfeu (52) e Morte e vida severina (65) — livros que sintetizam as experiências dos diversos períodos da poesia brasileira —, terão de se ajustar a novas linguagens, se quiserem participar, de forma renovada, da modernidade poética. Morreram as vertentes da poesia marginal, da poesia processo e do concretismo, além da falsa poesia de protesto praticada na vigência do regime militar. O poeta que insistir nalguma dessas vertentes estará assinando o termo do próprio funeral. Para se inserirem no panorama atual, o poeta que nasceu naquela época terá de se ajustar às linguagens daqueles que nasceram até vinte anos depois. Isto não significa que a obra anterior desse poeta não tenha cumprido o seu papel ou que não tenha funcionalidade no presente, pois aquele que fez a poesia dos anos 70 a 2000 contribuiu para a abertura das portas das buscas que são feitas hoje. Vim dessas vertentes, e, para que satisfizesse de forma mais calorosa o processo crítico e mesmo para que dele me aproximasse, tive de buscar novas alternativas para a minha poesia, buscas estas que culminaram no livro Ruínas ao sol. Mas, para isso, tive escarafunchar muito, e me auxiliou bastante a descoberta do aspecto trágico da poesia inglesa e da sutileza de Ossip Mandelstam, Eugenio Montale, Rilke… Em sua trajetória, o poeta tem de se alimentar de todas as afluências poéticas que puder abarcar sob o risco de cair na secura da esterilidade. Ou para dizer de forma mais clara: produzirá abobrinhas o poeta que não estiver aberto a novas enxertações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) Ainda sobre os seus 25 anos de poesia, parece que você está organizando uma antologia com todos os seus poemas? Dá para adiantar alguma coisa?&lt;br /&gt;Salomão Sousa: Safra quebrada, título do livro que já está pronto para edição, foge um pouco dos parâmetros de uma antologia, mas não contempla a totalidade dos poemas dos meus livros. Deve ser editado até o final do próximo semestre, se os recursos prometidos não forem abortados. Ainda que não seja publicado, só a sua organização contribuiu para que eu revisasse a minha produção e também tomasse conhecimento do conjunto daquilo que já escrevi.  A cada poema dos meus dois primeiros livros, no momento em que eu fazia a nova composição, sentia me rondar o clima pesado, negro, ameaçador do regime militar. Muitos dos poemas eu revi com aquela dor antiga que eu carregava na espinha enquanto trabalhava nas repartições públicas, ali na Praça dos Três Poderes.  Dos poemas dos demais livros, sentia as incertezas da poesia das décadas de 80 e 90, que ainda não vislumbrava saídas para o beco em que ela se encontrava. Assim, pude ter mais consciência daquilo que produzi, e consolidar uma objetividade mais consciente, que auxilia na formatação de uma obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) Muita gente nova tem feito poesia atualmente, e parece que as editoras voltaram a investir no gênero. Você tem acompanhado este processo?&lt;br /&gt;Salomão Sousa: O investimento atual ainda é insuficiente e beira o enganoso, pois o mercado editorial e as forças críticas, acreditando que a “facilidade e a superficialidade” são suficientes para a conquista do mercado, acabam investindo – em nome da Poesia – em textos do mais desbragado e inútil prosaísmo, que não servem para a formatação de linguagens e muito menos contribui como auto-ajuda. Há muitas contradições. A poesia brasileira avançou muito em termos de linguagens que recuperam a inteligência dos tropos, a mesclagem do urbano e rural, o delírio da criação, e as espertezas da sonoridade. A sonoridade voltou a ser necessária, através da invisibilidade das assonâncias e aliterações.  E ainda assim vemos carradas de obras de falsidade lírica, de anotações inúteis de incidentes cotidianos e da intimidade dos poetas. É tanta a falsidade que muitas dessas obras não conseguem ficar dois dias em cartaz, mas servem para a momentânea projeção nos grandes prêmios. Salva a atuação das pequenas editoras, como Lumme Editor, e de títulos da Cosac. Destaco dos vários poetas atuais os nomes de Marcos Siscar e de Antônio Moura, este com o vivo Rio Silêncio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) Além da poesia você já se aventurou por outros gêneros literários, como a prosa, por exemplo? Já pensou em escrever algum romance?&lt;br /&gt; Salomão Sousa: Não sou prosador, pois não tenho o domínio da fabulação. Talvez pudesse enveredar pela crônica ou pela crítica. Mas sai muito cara, atualmente, a prática da crítica. Ela se profissionalizou, com o gravame de desprezar o colorido pessoal. Fria, impessoal, hábil no resumo. Quem foge desse parâmetro, acaba apunhalado. Qualquer crítica mais vivaz provocará tréplicas intermináveis. Perdemos a humildade, pois a homem da modernidade é auto-suficiente e intocável. E acaba saindo ruim para todo mundo. É numa ambiência de divergências que surgem as descobertas, a proliferação das novas linhagens, a renovação genética da poesia. Já é famosa a frase de Nelson Rodrigues: toda unanimidade é burra. Certa vez fiz uns comentários para o Iacyr Anderson Freitas sobre a sua poesia, e ele me respondeu com satisfação, pois ninguém ousava questionar ou mesmo apontar rumos para que ele amadurecesse o seu processo criativo. E, veja bem, o Iacyr Anderson Freitas tem o domínio da composição poética desde o primeiro instante em que se lançou.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) Ganhar prêmios literários, como o último que você faturou — o Prêmio Goyaz de Poesia — significa o quê na vida de um escritor? Ajuda a abrir portas das editoras?Salomão Sousa: O escritor só se constrói através da própria obra. A concessão de um prêmio pode abrir as portas da crítica, e até das editoras, principalmente quando o prêmio cuida do financiamento. Se não fossem os editores apaixonados por poesia, todos os poetas teriam de custear a edição de seus livros. Basta ver que há editores atuais que estão fazendo tiragens de duzentos/trezentos exemplares. Há livros de poesia que estão saindo em edição de cem exemplares. Só a paixão pelo livro para que um editor trabalhe numa edição de cem exemplares! Os poetas ainda são editados por outra razão muito simples: dão status ao catálogo das editoras. Se não fosse por status, o Brasil não conheceria as obras de Eugenio Montale, de Rilke e de tantos e todos os outros. Editor está atrás de autores que encham o cofre — mas o lucro é inerente a qualquer atividade econômica.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-3168704148946467265?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/3168704148946467265/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=3168704148946467265' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/3168704148946467265'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/3168704148946467265'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/entrevista-ao-pensar-do-estado-de-minas.html' title='Entrevista ao Pensar do Estado de Minas'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-600129480491215133</id><published>2007-03-27T10:13:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T10:23:36.420-07:00</updated><title type='text'>Luiz de Aquino</title><content type='html'>Proseando com o poeta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salomão Sousa escreveu um belo poema, entre tantos outros belos, sob o título "Dar-se aos pregos e às léguas". Deliciei-me das fincadas e andanças do vate da histórica cidade de Bonfim (que o mau gosto de uns poucos, há mais de meio século, transmudou em Silvânia, sem que a bucólica cidade perdesse o encanto). Ele encerrou o poema com essa estrofe:"...perder-se para nascernas flores e nos olhos da terranão ser o ferrolho inchadoo caruncho na madeira das íris"Falei-lhe do meu encanto, e ele retrucou, em mensagem fraternal: "As nossas viagens são as mesmas, com as mesmas íris e o mesmo sol, o mesmo terreiro de chão goiano. O difícil, para nós, é abrir porteiras para fora de nosso rincão. Vamos manter viva a nossa infância, senão perdemos a nossa rebeldia."Perdemos, não, poet'irmão! Não a perdemos, pois exercemos essa teimosia de menino birrento, daqueles a quem os castigos da sobremesa não atingem, porque havia os quintais de múltiplas frutas, nem o cerceamento da liberdade por algumas horas, porque os córregos da meninice estavam ali, "de grito" (*); a toxina dos defensivos ainda não exterminara as piabas que colhíamos em anzóis miúdos, em linhas curtas de varas de bambu. Nosso grito de pirralhos embirrados ecoa não no espaço entre paredões, mas na lonjura do tempo que enevoa nossos cabelos e esturrica nossas peles. E que revéis, somos nós! Crescemos sob o tacão de um regime duro e cruel, mas não esmorecemos; não nos dobramos, como os caniços que nos valiam por varas de pesca, mas não enraizamos tanto que a ventania nos arrancasse do chão benfazejo. Altivos e livres, fechamo-nos por horas em leituras perigosas, mas capazes de nos fazer cidadãos. Cidadãos poetas, porque sem poesia não há liberdade (que o digam Agostinho, de Angola; José Martí, de Cuba; Federico G. Lorca, o espanhol; e Castro Alves, o nosso). Vimos Godoy Garcia, José Décio Filho, Ieda Schmaltz e Afonso Félix de Sousa a gritar por nossa gente ante o arbítrio; vimos José J. Veiga e Bernardo Elis a prosear coragem na escuridão ante as idéias não permitidas. Deles herdamos a bússola dos inquietos, dos insatisfeitos e insurretos. Temos sangue, Salomão, para a justiça decantada, sonhada e mal-exercida; sangue que tinge nossos solos e põe sal no nosso suor de andarilhos das letras. Deixamos que os dias polvilhem de lembranças nossas almas doces e ingênuas, mas bravas o bastante para não se curvar. Temos as cores das areias da Serra Dourada, o vigor das pastagens na vertente do Piracanjuba e o calor termal da Serra de Caldas, acalentado em serenatas de Pirenópolis e dourado de pôr-do-sol de qualquer paragem Goiás. Comemos pequi e genipapo, ingá e guapeva; bebemos cachaça quilombola; dançamos pagode de roça, dançamos catira e, se deixarem... Bem, se deixarem, contamos histórias de medo ao fogo do borralho, em noites de chuva. Mas não deixamos, não mesmo, de cantar poesia. Como não se fazer poeta sob o céu deste Planalto do cerrado, siô?&lt;br /&gt;Luiz de Aquino jornalista e escritor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-600129480491215133?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/600129480491215133/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=600129480491215133' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/600129480491215133'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/600129480491215133'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/proseando-com-o-poeta.html' title='Luiz de Aquino'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-120182200200911340</id><published>2007-03-27T10:11:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T10:24:05.379-07:00</updated><title type='text'>Nilto Maciel</title><content type='html'>A LÓGICA DO PESSIMISMO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Susto de Viver e A Moenda dos Dias, de Salomão Sousa, foram reunidos num só volume. No primeiro, o poeta, impossibilitado de conter as palavras, a poesia, anuncia o seu drama: a cidade, que o chamou do campo (e esse tema estará mais presente em outros poemas), o assusta, o persegue, o amedronta, como se ele fosse um cão vadio. Não sabe se se quede como árvore em descampado açoitada pelo vento que passa – a vida a fluir – ou se vá, sem rumo, embora. Constata: “Sua sina, menino,/ é de árvore/ em descampado”. O silêncio fala ao seu redor, amedrontador. O poeta pára, enquanto tudo se movimenta, corre. O poeta se assusta da própria imobilidade: “Estendo os olhos/ e há o pedido de não ver”. A cidade (a vida) estende-se como um rumo, caminho sem fim. Mas cadê coragem de enfrentá-la? “A valentia/ conhecida de mim/ arrefeceu”. Mais do que perigoso, o existir ofende. É o medo de viver. O título esconde a palavra e a constatação mais comprometedora. No entanto, não sendo possível escamotear a alma no poema, a confissão sai clara: “Compromete/ olhar sobre os muros”. Do outro lado podem estar escondidos o fruto proibido, a serpente enroscada na árvore, Eva desnuda. Os terrores infantis, ainda recentes, não se apagam facilmente. Por mais que tente trair o próprio medo, ainda assim será fatal o susto. Amarra-se para segurar-se: “Teço a corda com a própria pele”. O corpo (o ser) serve de prisão, de degredo. O mundo é um perigo, abismo onde se precipitam os seres. É preciso fechar-se em si, caramujo. Qualquer impulso irracional leva à queda, como se nunca houvesse dado um passo. Todo passo será falso: “Atiro-me às escondidas/ e os charcos/ me atiçam as quedas”.Na segunda parte – “Dados” – a mesma relação de forças: a pedra (o ser) que gira é atirada, sem destino. A vida é um jogo: o impossível esconde-se detrás das facetas do dado. O azar dorme nos esconsos do cubo. Em si mesmo o dado não fica, não se imobiliza: “A pedra/ atirada/ soa a queda”. É patente o sinal concreto da construção desses poemas, concretismo por metáforas: jogo-vida, pedra-ser.O segundo livro, antes publicado separadamente. também se divide em duas partes. Numa – “Ladainha da Cidade Dura” – o poeta, de forma mais objetiva do que nos poemas já focalizados, individualiza a cidade, dá-lhe nomes: Ceilândia, Brasília. Ocorre uma inversão ótica: em vez do indivíduo perdido nos meandros da cidade, agora a humanidade e a cidade aparecem na pintura poética ampliadas, obscurecendo o indivíduo. O pintor sobe aos céus e de cima vê o todo, e não mais o indivíduo apenas. Ainda assim, o mesmo medo de abrir os olhos, olhar sobre os muros, correr, soltar-se: “Resisto à vontade/ de soltar fora os sapatos,/ de soltar fora os cachorros,/ de soltar fora as ruas.Na segunda parte – “O Ser ao Ser”– o lado oposto dessa cidade de medo: o campo de onde proveio o menino assustado, em busca de si mesmo. Entretanto, apenas um reflexo do passado, porque são as ruas por onde passa que lhe despertam a necessidade de escrever. Nasce em seus ouvidos aquele silêncio antes visto nos outros. O silêncio das coisas é uma auréola protetora. Para onde o poeta for conduzirá consigo o silêncio.A cronologia sentimental de Salomão Sousa obedece a uma lógica do pessimismo. O universo pode ser desigual no tempo e no espaço, porém o indivíduo é apenas um dado, “pedra atirada dentro do rio”. Se antes “entendia cada silêncio que estivesse por perto”, agora “é impossível passar ileso por qualquer despensa do vazio ou do silêncio”. Se antes conservava “um medo leve”, agora “o gume da tristeza não fende o medo”.A linguagem pode mudar, porque mudam o tempo e o espaço, todavia ao personagem nenhum historiador poderá transfigurar. Passa o vento, não a arvore. Passam os dias, os dentes da moenda, não o homem triturado pela vida. Passam as nuvens, os pássaros e o rio, não o menino a quem o bicho-papão fez estremecer.E finalmente: tudo passa, menos o homem e a sua poesia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-120182200200911340?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/120182200200911340/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=120182200200911340' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/120182200200911340'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/120182200200911340'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/lgica-do-pessimismo.html' title='Nilto Maciel'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-2687392615501110759</id><published>2007-03-27T10:09:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T10:24:43.157-07:00</updated><title type='text'>Ana Maria Ramiro*</title><content type='html'>Ruínas ao Sol: alegoria e subversão na obra de Salomão Sousa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;"As alegorias são no reino dos pensamentos&lt;br /&gt;o que são as ruínas no reino das coisas".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;strong&gt;(Walter Benjamin)&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da mesma forma como respiramos sem ter, na maioria das vezes, consciência de que o estamos fazendo, também somos levados, na rotina imposta pelo cânone já desgastado, a uma leitura embotada, automatizada, da obra literária, uma vez ausente o estranhamento, elemento fundamental e definidor da invenção poética. É a partir da desfamiliarização da linguagem, desse dito estranhamento, que renovamos nossas reações e sensibilidades habituais e adquirimos uma consciência dramática da linguagem, tornando-nos mais auto-conscientes do processo criativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruínas ao Sol (editora 7Letras), do poeta goiano radicado em Brasília, Salomão Sousa, vencedor do prêmio Goyas de Poesia de 2006, é um desses exemplos de obra renovada/renovadora, ainda raros no atual cenário poético nacional, e que levam o leitor para além da visão estático-linear, estimulando-o a vôos mais altos, a experiências poéticas mais profundas, através de um vasto jogo especular formado por fragmentos de imagens menores, à maneira de um pictograma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta exuberância imagética, conseguida por meio da proliferação de significantes, bem como o emprego da tautologia estrófica ("Alimentamo-nos do mesmo sol e estamos sós/ Alimentamo-nos do mesmo sol e estamos sóis") e terminológica (gomos, tempestades, lenhas, desterros, estradas...) reiteram, como peças de um quebra-cabeça, o pendor fragmentário da obra ("Motivos para tecer o corpo/com pequenas sementes/matizes de feixes de anil/com o secreto desalinhar do novelo/das pequenas aranhas"), exigindo uma leitura em filigrana para total cognição do subtexto e interpretação do discurso poético.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sol, elemento simbólico por excelência, fonte máxima de calor e gerador de vida, é mimeticamente identificado com o signo lingüístico ("Só o que virar girassol/ só o que couber na palavra") e será uma das alegorias responsáveis, se não a principal, por reforçar o caráter dinâmico e subversivo da poesia de Salomão e de sua ars poética ("estarás em qualquer/ ilegível estrela ou estrada/ irei recolhendo tuas roupas/ toda em rasgos/ só eu posso te encontrar/ no instante em que fores louca"). O termo estrada também vai encontrar um correspondente sintagmático na idéia de trajeto, direcionamento ou linha (verso) e a própria epígrafe ao livro, do poeta sufi Rûmî, vai corroborar o teor alegórico e incitador da obra ("e vem o sol clarear minhas ruínas").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta citação constitui ainda a chave que revelará os artifícios de chiaroscuro e trompe l´œil, que permeiam o livro. Para Rûmi, na tradição mística do islã, o que existe, para além de todas as ilusões, é a unidade. Para ele, por exemplo, as cores enquanto símbolos da multiplicidade constituem uma ilusão, pois a realidade não tem cor e para ela, todas as cores retornam ("Mas quando a noite vela essas cores de ti, percebes que só são vistas por meio da luz"). É na intertextualidade (e aí, o escopo é grande, com referências clássicas, passando por Rilke e chegando em João Cabral e nas novas vertentes literárias), que Salomão se escora para desmascarar o próprio simulacro a que se propôs. Alegorias aos pedaços, ciclos de dissolução e florescimento, ruínas que na verdade buscam o seu antípoda, a reconstrução, o que Severo Sarduy denominou como "facetas de uma franja torcida sobre si mesma".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ruínas ao Sol revela-se sobretudo como um manifesto contra o marasmo e a banalidade no fazer poético e condensa o engajamento estético do autor para com as constantes e renovadas apreensões artísticas de seu tempo ("Está morta a dinastia/de quem aguarda/sentado na soleira/ A lenha das palavras/ acende a festa/ na beira do meu pasto"), afinal em sua própria concepção, o poeta deve passar pela modernidade de seu tempo, pois a sua poesia tem que refletir o somatório da encruzilhada de suas experiências com as da sociedade em que se encontra inserido ("Sem intimidade com a natureza da vida, a vida fraqueja, a humanidade vira pó"). O novo livro de Salomão Sousa ilumina como uma pequena jóia emblemática, mas mais do que emblema, é um corpo vivo, palavra latente. Comova-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana Maria Ramiro, poeta de Brasília.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-2687392615501110759?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/2687392615501110759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=2687392615501110759' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/2687392615501110759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/2687392615501110759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/runas-ao-sol-alegoria-e-subverso-na.html' title='Ana Maria Ramiro*'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-9119434354079682890</id><published>2007-03-27T10:08:00.001-07:00</published><updated>2007-03-27T10:25:33.634-07:00</updated><title type='text'>Ligia Cademartori</title><content type='html'>Força de imagens&lt;br /&gt; Especial para o Pensa do Correio Braziliense&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na primeira composição do livro Estoque de Relâmpagos, de Salomão Sousa, o uso de aliterações — repetição de fonemas semelhantes — mostra cuidado com a sonoridade dos versos. Mas logo fica evidente que a particularidade de sua poesia não reside nos efeitos de som e, sim, na organização das imagens. A profusão delas provoca o leitor para que procure as relações que estabelecem e, por esse modo, descubra a mitologia autoral que as ordena. Ao extrair força poética do substantivo, Salomão Sousa compõe sua própria lição de coisas. Nem todas imediatas, é verdade. Algumas são inalcançáveis. Mas, no radical contraste entre certas imagens pode-se encontrar essenciais efeitos de sentido e o provável princípio que preside as expressões figuradas. Pois a linguagem não faz concessões. Concisa e avessa ao vôo livre, essa é poesia de linhagem auto-reflexiva.&lt;br /&gt;O encadeamento de imagens, para muitos poetas, é mero jogo com o significante, quase um brinquedo. Não é o caso de Estoque de Relâmpagos. Nele observa-se dupla tendência. Uma, em direção ao cósmico, ao telúrico. Outra, ao nada, ao silêncio. Mira a grandiosidade, o espetacular, mas acolhe as faltas e as insignificâncias.&lt;br /&gt;As composições sucedem-se sem títulos que, de algum modo, direcionem a leitura e cumpram a função de marco divisório. Deve-se prestar atenção a esse fluxo que tende a transbordar as margens habituais. O jorro de versos desafia as pausas e desestimula as interrupções. É como se fosse um único poema extenso.&lt;br /&gt;No entanto, entre um poema e outro, há mudanças de tom e ritmo. Algumas, abruptas. Aqui, um discurso retesado a que servem consoantes oclusivas. Mais adiante, chega-se próximo à rarefação lírica. Às vezes, o peso do deserto desaba sobre o corpo. Noutras, ‘‘há tílias verdes esbarrando na aurora’’.&lt;br /&gt;O estilo é modulado, embora prevaleça a condensação. Poeta sem derrames, demonstra respeito pela potência da palavra. Em versos livres, enumera a heterogeneidade dos elementos que compõem um mundo que pode ser adverso, mas não insuportável. O desafio, agora e sempre, é o sentido. Dele o poeta faz recortes com estilete ou cunha.&lt;br /&gt;Como prenuncia o título, relâmpago é imagem recorrente nos poemas. A fulguração entre nuvens, clarão intenso mas breve, ao ser reiteradamente evocada, faz-se chave de leitura. Essa significação ascensional e luminosa, porém, tem seus contrapontos. Entre eles, o escuro seria o mais óbvio. Mas, mais elucidativo, talvez, seja levar em conta outro elemento também freqüente no imaginário poético. Como a madeira, tantas vezes evocada, que esteja em tora ou lascas, é sempre matéria sólida, tangível, duradoura. Mediante as duas imagens opera-se confronto entre fogo e terra, distante e contíguo.&lt;br /&gt;A tensão, se não se esvai, encaminha o poeta a uma aprendizagem: ‘‘Posso esbarrar no escuro do silêncio de onde foram retiradas todas as aparas sem sair lanhado’’. E, provocando associações com a adaptação e a resistência da madeira, conclui: ‘‘Onde foi cortado todo amparo — ali posso me encostar todo em talhas’’. Há fecundidade nesses versos, ímpeto poético que percorre via mítica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ligia Cademartori é doutora em teoria literária e autora de Períodos Literários.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-9119434354079682890?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/9119434354079682890/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=9119434354079682890' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/9119434354079682890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/9119434354079682890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/fora-de-imagens.html' title='Ligia Cademartori'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-8166290325457641673</id><published>2007-03-27T10:06:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T10:07:27.148-07:00</updated><title type='text'>Carta a Soares Feitosa</title><content type='html'>Luiz Paulo Santana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El nuevo e-mail ya está en la agenda. Aquí hace un díanublado, frío, indefinido. Releo "En el Cielo tieneProzac": la misma enorme dramatismo de "El Relato delCapitán". En este, la culminância de la fotoavassaladora, derruindo el propio arte; en aquel, elverso "Madre, en el cielo tiene pan?" concentrando ensí todo el significado de la tragedia humana. La mismainercia vagarosa del movimiento del mundo entre lainocencia y la crueldad. Releo con un sentimiento dederrota, yo pretenso reformador del mundo,racionalista, positivista inconfesso, incapaz decaptarlo en su inmensa complejidad. Ni el envejecer meda la santa sabiduría evocada en el poema, aquella enque la persona se pone como un humilde instrumento yno como un demiurgo de 100ª. categoría:  "Se aplazan-le los minutos,al gesto del amor,sacrificios y devociones:éxtasis de Margarita,éxtasis de Madre Teresa,éxtasis del Cura D’Ars,éxtasis de la hermana Dulce;" Pues no será pura sabiduría esa dedicación sinpreguntas, esa fe gratuita? En que horizontesrecogerán tales santas y santos — canonizados o no —la fuerza de su humilde retidão? Como gustaría desaberlo, o mejor, de lo sentís. Tal vez pudierasuperar esa oscilación angustiosa: euforia por elideal de justicia, derrota por la injusticiaflagrante. Y culpa, culpa, culpa. Yo, neurótico,necesito recurrir a la vuestra palabra poética paradisculparme. Porque en ella encuentro un sentimientomayor del mundo. O a la palabra poética de MoacyrFélix: "Sabemos del anzuelo sólo lo que va hasta elfácil blanco y el facílimo rojo de su boiazinha desuperficie; lo que el plomo lleva al fondo, el mar, elpez, la vida del pez, nuestro antojo prendido a lasgiratorias muertes del pez, el secreto céntrico de lapesca, esto nunca sabemos, porque en el mar del Marnada sabemos hasta el fin: somos siempre el inicio,como la plaza es siempre el inicio de otra plaza, comola plaza que, cuando aislada, es sólo un temporalespacio de agua y sal, juego de químicas y retortas,sin ningún movimiento capaz de conectarnos a lahistoria del mar, a su principio y a su fin." De tarde en tarde la barra pesa, usted sabe. De ahíque leo el Salomão Souza con el suyo "Recorte sobre lapoesía brasileña contemporánea" y una vereda se abre.Fina percepción de un movimiento que trasciende elanálisis de una escuela o "igrejinha" y o/sucomparación con otras. Ni siquiera es críticaliteraria, (por un momento, sólo por un momentoresbala para un casi revanchismo al referir un"fundamentalismo" y mencionar la Alexei Bueno yEspinheira Filho) pero percepción fenomenológica. Nohay demérito para nadie. Con su mirada panorámica haceobservaciones interessantíssimas. Salomão Souza me levanta el astral a lo hacermepercibir que ese vacío en la boca del estómago escompartido. Pero, claro que es compartido, que essufrido por todos, sin excepción, pero nonecesariamente incautado, detectado y finalmenteexpreso, por todos. Sólo las "antenas" de lahumanidad, pensadores, poetas y escritores, por deberde oficio. Asimismo la percepción completa, analítica,es posterior. El hecho es que la literatura (de entreotras antenas) emite señales, y los emitió antes de laprimera gran guerra, y entre esta y la segunda, porejemplo.  Pues Salomão Souza detecta — como una fuertetendencia, capaz de caracterizar una originalidadexpresiva — en el panorama de la poesía brasileñacontemporánea la compleja y paradoxal expresión delvacío. Compleja como se puede incautar de laelaboración de los versos de los poetas citados.Paradoxal, porque lejos de una poética destituida debrillo, de hecho, por el contrario. Refiriéndose la tal tendencia, escribió Salomão: "...me atrae en la actual poesía de post-vanguardia esalibertad de que no quisiera nada — ni engajamento, nibordado de un texto estructurado en una formadefinida, ni la estructura sólida de los objetos de lanaturaleza y de la cultura.". Otras característicasson señaladas, como agresividad, densidad, sonoridad,sugerencia, interioridade, condensación, corte, que noson en absoluto extrañas al mundo de la poesía, razónporque separé, a mi juicio, la instantaneidade, ladesconstrução de forma y contenido y la ausencia designificado explícito como vetores más importantes deesa tendencia la que se refiere Salomão. Los tresvetores apuntarían para un "vacío" semántico que máscorresponde la una sugerencia, la una pregunta, que launa propuesta, o la una respuesta, ya que estas,incluso por la ausencia cada vez más pronunciada de lo"yo" en el mundo real, dejaron de tener sentido en ese"mundo en añicos" "en que lo yo ya no ocupa la figurade centro". El viaje se interioriza. El metalenguajese hace presente no para explicar fórmulas, pero paracorroborar en la pregunta, o realzar la perplejidad: yahora, en que nos hacemos? La palabra perdió su sentido habitual. Perdió susujeto. Está muda, vacía. Está la espera de unaressignificação. O la sugiere en un nuevo sentido noexplícito, para nueva fruición. No cabe preguntar si esa tendencia y sus poetas tieneno no razón. El hecho, para mí, es que sus versosreflejan una concepción poética que parece "escapar"de la encrucijada en que se mete el mundo, entre elideal gasto, esfarrapado, y el real fragmentado yanômico, a pesar de las marcas del desasosiego. Comoacentúa Salomão, refiriéndose a los versos de IacyrAnderson Freitas, "Entonces, es una vasta busca y unavasta duda.". Mientras eso, Salomão fotografía el mundo con la misma"neutralidad" de los santos y santas en éxtasis: mira,tiene coraje, asesta tu rostro. Vea como es bello. Veacomo es odioso. Vea como reímos y como lloramos. Veacomo somos humildes y cuanto somos pretensiosos. Veacomo la saga humana ten que fantástico lo que tiene elArte. Vea como nuestra historia podrá en los salvar elSiglo Cien, de Ésquilo!  Pero, a las veces, a las veces, la barra pesa.   Cambiando de palo para cavaco, gustaría de,oportunamente, sustituir (o retirar) en mi página elpoema "Cuando planté en la lata", por incompleto,inacabado, insatisfactorio, más que los demás. No séporque acabó yendo con los otros. Cuando fueraposible. Y ya que hablé de "vacíos" y de metalenguaje,aquí va este que bien puede ser el sustituto de aquel.  Desandar  Boli, bloque, libros, cenicero,los objetos están aquí,están inertes en su posturade objetos en sí.  Nada los reúne, nada los convocapara un cambio existencial.Delante de ellos estoy perplejomudo, deflexo, convencional.  No hay perfumes, no hay naufragios,nada me toma ni me liberay los objetos reposan tácitos,todo es silencio, nada se altera.  Cansado y roto recojo antenasme acostuesto a las penas de no dormir.Veo carneros, cuento a los centenares,todos a balarme.  Grande, gran abrazo, LPSantana&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-8166290325457641673?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/8166290325457641673/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=8166290325457641673' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/8166290325457641673'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/8166290325457641673'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/carta-soares-feitosa.html' title='Carta a Soares Feitosa'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-3099556472354853303</id><published>2007-03-27T10:05:00.001-07:00</published><updated>2007-03-27T10:05:55.602-07:00</updated><title type='text'>Por Rachel Moura</title><content type='html'>Não sei nenhuma teoria literária para explicar os poemas do meu amigo Salomão Sousa. Contudo, creio que a poesia pode e deve ser uma janela pela qual vemos e experimentamos o mundo. Nesse sentido, meu ser entende muito bem quando Salomão diz que há “uma noite de pensamento”. Por que será? Talvez seja porque ainda haja “um sol longínquo” ou por que temos profundos motivos para “iludir a morte, “para tecer o corpo” e, ainda, “motivos para sedas nos casulos”.&lt;br /&gt;            Também compreendo as infinitas tempestades do eu expostas nas palavras de Salomão: de amor, ódio, conflito, que surgem nas estrofes como arrebatadoras de algo. Tempestades essas que nos levam a navegar no dia-a-dia, ou que às vezes não aparecem: “a tempestade não veio”. Podem também retornar aos desertos, e então é por isso que ficamos a sombra?&lt;br /&gt;            Deparo-me, por fim, pelo convite de “sair da sombra das ruínas”, desejar o sol e deixar vir “ao sol as ruínas da pele”, sendo alguém em que “vivo de me mudar de caminhos” para finalmente concordar com o que diz Salomão “navego num mundo sem prumo e sem nauta”.&lt;br /&gt;            Em suma, li, reli, naveguei, e por isso viajei, no entanto efetivamente naufraguei. Sobretudo, caminhando olhos e pensamentos pelas estrofes (sua escrita difícil até me deu algum trabalho, mas já me acostumei) fiz sombras ao mesmo tempo em que as desfiz. Isso tudo foi resultado da beleza que é o livro Ruínas ao Sol de Salomão Sousa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-3099556472354853303?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/3099556472354853303/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=3099556472354853303' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/3099556472354853303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/3099556472354853303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/por-rachel-moura.html' title='Por Rachel Moura'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-286903305573081187</id><published>2007-03-27T10:04:00.001-07:00</published><updated>2007-03-27T10:26:55.472-07:00</updated><title type='text'>por Hildeberto Barbosa Filho</title><content type='html'>TRÊS VOZES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O registro das vanguardas parece ter determinado a existência de duas vertentes na poesia brasileira contemporânea. Uma, de viés epigônico e diluidor, afeita ao trato da palavra dentro dos requisitos de uma sintaxe gráfico-espacial que, diria hoje, está emparedada. Outra, atenta, por sua vez, às lições da contensão vocabular, voltada, no entanto, para um dizer em que a força imagética tende a abrir novas latitudes na esfera semântica do poema. Quero crer que os três poetas vencedores do Prêmio Goiás de Poesia, versão 2006, ora publicados pela 7 Letras, na Coleção Guizos, procuram seguir, com suas poéticas individuais, essa última e mais fecunda possibilidade. Salomão Souza, com Ruínas ao sol; Heron Moura, com O respirante, e Marcos Siscar, com O roubo do silêncio, em que pesem as diferenças de ordem técnico-literárias, estilísticas e temático-ideológicas intrínsecas à dicção de cada um, apostam decididamente na energia metafórica da linguagem para expressar uma concepção lírica acerca do mundo e das palavras, enraizada sobretudo na tessitura das imagens. Imagens radicais, inventivas, não raro visionárias, para lembrar a tipologia de Carlos Bousoño, em Teoria de la expressión poética. Salomão Souza elabora este verso emblemático: “Com os idílios dos erros nós remamos” (p. 16); Heron Moura arremata assim o poema “O caracol do paraíso: “Só o nada nos consola / dessa mobília inútil / que mede o paraíso em sua escala”, (p. 51), e Marcos Siscar, em sua medida e concentrada prosa poética, fala das palavras “peroladas de silêncio e de ênfase” (p. 24) e na “catacrese do impensável” (p.31). Só por estes exemplos, cabe-me indagar: não residiria, aqui, a fusão da herança modernista tocada pelo vigor dionisíaco de um Jorge de Lima e pelo rigor apolíneo de um João Cabral? Creio que o impacto deste sortilégio estético permeia uma das veredas dessa nova poesia. Em nenhum momento a substância subjetiva, o fluxo existencial, a percepção reveladora, vezes epifânica, são elididas no labor da construção poética. Mas também é preciso ressaltar que a essa matéria, quase sempre inefável, de que se compõe a poesia, como que preside a consciência da forma, prevista no polimento da frase e do verso, na mensuração do ritmo, na condensação da idéia e, principalmente, na arquitetura das imagens.&lt;br /&gt;Escrito por Correio das Artes às 09h25[ &lt;a href="javascript:abre(" postfilename="2006_11-17_08_25_57-9163101-0&amp;idBlog=711752','356','478','1');&amp;quot;"&gt;(0) Comente&lt;/a&gt;] [ &lt;a href="javascript:abre(" idblog="711752&amp;postFileName=2006_11-17_08_25_57-9163101-0','340','400','1');&amp;quot;"&gt;envie esta mensagem&lt;/a&gt; ]&lt;br /&gt;dataPost = "";&lt;br /&gt;if (dataPost != "") {document.write("&lt;a name="2006_11-17_08_25_45-9163101-0"&gt;&lt;/a&gt;");}&lt;br /&gt;else {document.write("&lt;a name="2006_11-17_08_25_45-9163101-0"&gt;&lt;/a&gt;");&lt;br /&gt;}&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas três vozes, aqui comentadas, imprime-se talvez um mesmo tom. Se por um lado o idioma poético passa por um processo constante de reinvenção, o que vem dignificar a linguagem como queria T. S Eliot, por outro, ainda para referir o autor de A terra desolada, no ensaio decisivo, Tradição e talento individual, ocorre não uma liberação, porém uma fuga da emoção, não uma expressão, mas uma fuga da personalidade. Ora, por isto mesmo entendo que estas três expressões poéticas não negam a subjetividade, não traem as fontes germinais da sensibilidade lírica, contudo não se pervertem no confessionalismo amorfo e piegas nem tampouco no experimentalismo estéril e vazio em que tantos se comprazem. A elaboração da imagem, em cada um, ao mesmo tempo em que viabiliza um olhar inaugural sobre as coisas, os objetos, os sentimentos, presta-se também à reflexão, quer implícita quer explicitamente, acerca de suas próprias virtualidades, numa cartografia metalingüística que faz destas poéticas, em muitos momentos, um discurso sobre a própria linguagem, um rastreamento estético da própria poesia, enfim, um dizer sobre o fazer. Mais colado ao visgo da existência, o lirismo de índole filosófica de Salomão Souza não descarta o apelo metalingüístico, quando ao final do poema da página 65, enuncia: “A lenha das palavras / acende a festa / na beira de meu pasto”. Antes, no mesmo texto, o poeta já dissera: “Não consigo sorrir se o homem / deixa de ser uma lenda / se o homem deixa de entrar / nos esconderijos do arco-íris / se é negada a festa da palavra / cheia dos olhos de Osíris / se há o logro da censura / e não chegam dizeres e vizires”. Observem-se em cada verso a carne e a plumagem das palavras. Intuição e razão não se excluem, complementam-se na composição das tantas imagens, imagens estésicas, que habitam este poemário, conjugando significado e significante: Alguns exemplos probatórios: “Muda o pássaro a plumagem / só para ter outra mais viva / e assim combinar com a nuvem” (p. 20); “não ter de abandonar-se / em viagens falhas / por cais de chavascais / por chacais por ais de abismos” (p. 43); “ninguém terá de imaginar fugas / mentir às brumas dos brâmanes” (p. 44), e “a tempestade retorna aos desertos / ameaça minhas tortas tralhas / e volta sem os corais do repouso / em meus dias de trapaças lodaçais / não varre o alcatrão dos meus beirais / espalha o amor onde o sol trabalha” (p. 46). Dotado de um lirismo mais objetivo em que a linguagem é quase sempre descrição, mas descrição anímica, Heron Moura, mesmo tocado pela ruína cósmica, injeta no corpo de uma semântica, diria ambiental e ecológica, o pensar a respeito do poético, mas o pensar por imagens. Veja-se o poema “Dois desertos”, do qual destaco os versos iniciais; “A vida não nos dá a terra / o planejamento das dunas / o pântano onde o sangue coagula / Por que daria o poema?” (p. 66). É ainda o princípio imagético que rege construções como estas: “Meu sistema respiratório / começa nas nuvens e termina / nas raízes, ele pensa, / como um Cesário Verde redivivo” (p 13); “Não posso tocar teu rosto / para não desfazer / a última imagem / da luz em partículas” (p. 42), e “A luz não respira, / o céu real é país despovoado” (p. 75). É, não obstante, em Marcos Siscar, talvez pela lógica da prosa, embora prosa poética, que os imperativos da metalinguagem se fazem mais presentes, transformando O roubo do silêncio numa espécie de ars poetica, já sinalizada, em certo sentido, no título de algumas peças, a exemplo de “Prefácio sem fim”, “As flores do mal”, “Fenomenologia do carrapicho”, “Díptico do silêncio”, “Natureza morta”, “Ode à febre”, “Modo de usar”, “Escrito a mão” e, em destaque, “Provisão poética para dias difíceis”. Há, não raro, por trás da perícia descritiva e da desenvoltura verbal, o esforço metalingüístico em torno da poesia e do poema. A apreensão, por assim dizer quase abismada dos objetos, se converte, às vezes, em especulações reflexivas. Observem-se, por exemplo, estas passagens, de “Escrito a mão”: “(...) um puro objeto, um abismo para o olhar”; “(...) Pode-se dizer que um dos caminhos da poesia é a singularidade manuscrita, a rejeição da máquina, sua proximidade com o desenho”; “O poema é um ganho simbólico obtido pela fábula da perda, ou uma perda simbólica imposta pela fábula do ganho?”. É o que se dá, também, no último dos textos referidos, acentuando-se, aqui, as alusões intertextuais. Permitam-me citá-lo mais uma vez: “(...) Eu queria a maçã de Bandeira, mas não seu quarto de hotel. Eu queria a sesta de Montale, e depois pisar nos espinhos de seu horto. Eu queria o mar de Kavafis, mas não para naufragar num canto de terra. Eu queria as lentes de cummings, sem os limites da tipografia. Queria as asas de Eliot, mas não sua velhice. Eu queria, é simples, mas bem aqui, longe de Starnbergersee”.Pierre Reverdy assinala que o traço seminal das imagens fortes, as chamadas figuras de invenção, tem sua origem na aproximação espontânea de duas realidades mais distantes. Carlos Nejar alude ao poema como “a casa das imagens”. Pois bem: Salomão Souza, Heron Moura e Marcos Siscar, por mais que se configurem suas respectivas singularidades, revelam a unidade desse tom. O tom imagético por excelência. A este tom, é claro, se associam, de uma parte, a sólida lucidez perante os artefatos da linguagem e, de outra, a matriz metacrítica do discurso poético, fruto de vivências pessoais, diversidade de leituras, imaginação e sensibilidade.&lt;br /&gt;Hildeberto Barbosa Filho, poeta e crítico literário paraibano. Doutor em literatura brasileira.&lt;br /&gt;(Correio das Artes, 18 e 19 de novembro de 2006)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-286903305573081187?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/286903305573081187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=286903305573081187' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/286903305573081187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/286903305573081187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/trs-vozes-um-mesmo-tom.html' title='por Hildeberto Barbosa Filho'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4843398825678420679.post-6344261992758995544</id><published>2007-03-27T10:00:00.000-07:00</published><updated>2007-03-27T10:29:35.462-07:00</updated><title type='text'>Ronaldo Cagiano</title><content type='html'>A POÉTICA DA CONSCIÊNCIA E DO COMBATE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das muitas leituras que podemos fazer da obra de Salomão Sousa, poeta goiano radicado em Brasília, duas me parecem significativas: a poesia de consciência e a escritura de combate; sem sombras nem rodeios. São duas linhas muito bem estruturadas no trabalho desse autor de A Moenda dos Dias, O Susto de Viver, Falo, Criação de Lodo e Caderno de Desapontamentos.&lt;br /&gt;Buscando sacudir as consciências nesse universo de alheamento e passividade em que a poesia moderna se encurralou, a palavra-chave na arte de Salomão é a transgressão. Transgressão que intenta retomar o sentido exato da construção poética, além dos clichês líricos e confessionais. Pois a literatura de Salomão Sousa funciona com toda eficácia, como instrumento de resistência, de libelo, mas não sob a ótica panfletária, de engajamento político ortodoxo, senão de explicitação do caos instalado, para realizar, então, o exorcismo dos fantasmas que subvertem a criação moderna, quando a pulverização das mass media e os condicionamentos alienantes de uma cultura impingida goela abaixo pelos cânones neoliberais disseminam uma saraivada de influências perversas.&lt;br /&gt;Salomão Sousa vai fundo com suas incisões poéticas; numa precisão cirúrgica, desmantela certos valores enquistados na máquina do tempo através de uma linguagem muito particular, sem porosidade. Se de um lado economiza discursos laudatórios e defende a síntese objetiva, de outra feita rejeita o bom-mocismo do estilo politicamente correto, porque pretende — e isso é fundamental em seu exercício — modificar, sacudir, e como um Titã vislumbra nessa rebeldia um novo estágio, em que a palavra deve apenas não ser lida, mas sentida e compreendida em toda sua extensão e significado. É isso mesmo: a poesia de Salomão, ao permitir tantas (re)leituras, incomoda porque refulge através de uma explicação dolorosa das coisas que se passam em torno de nós. Não há possibilidade de sair ileso, indiferente, sem um insight de sua vasta formulação poética.&lt;br /&gt;Outra característica na obra de Salomão Sousa é o vezo de sinceridade, de flecha certeira contra a mediocridade e os medíocres, com que ele tece sua crítica literária, sua ensaística, sua expressão de anuência ou desaprovação a obras e autores. E o faz (seja em encontros literários ou através do Chuço, voz candente que exprime sua vasta relação com as tribos culturais do País) com um pungente espírito estético, com abordagens profundas, sem concessões ao mau gosto ou liberalidades conformistas. Ofício que é fruto de um espírito de coerência, de respeito à leitura e ao leitor, porque, como todo formador de opinião, sabe da responsabilidade da pena que recomenda ou que rejeita, hoje algo tão ausente nos jornais, sobretudo em Brasília, quando as redações estão infestadas de “comunicólogos de carteirinha”, no dizer de Cassiano Nunes.&lt;br /&gt;A análise da obra de Salomão Sousa nos permite situá-la não só no contexto brasiliense, mas nacional. Seu nome vem se firmando sem dificuldades, porque é signatário de uma poesia inovadora, sem as camisas de força estilísticas, arejada, original, portanto moderna. Moderna, sim, porque mantendo empatia com a contemporaneidade, e em meio ao cipoal das (in)tensas relações desse mundo de rápidas transformações, com seus escalonamentos de códigos, totens e valores, consegue dar o pulo e amadurecer cada vez mais. Uma confecção poética que transita nos vários territórios, mas de feições nitidamente críticas, fazendo uma espécie de sintaxe permanente do mundo, a partir de uma visão não dogmática, mas dialética de todas as coisas.&lt;br /&gt;O poeta Salomão Sousa tem plena consciência de que a criação é exercício de liberdade e leva às últimas conseqüências essa via do espírito inquieto, tal como se adotasse aquele sentimento já exposto por Mário Benedetti: “Só quando transgrido alguma ordem, a vida se torna respirável.” É mais ou menos isso o que precisa ser a leitura e é isso o que percebemos nos livros desse poeta goiano que traz em si o itabirano “sentimento do mundo’, e que, apesar de deixar escapar, como Drummond, um certo descontentamento com o que se passa por aí, é capaz de marejar os olhos diante da rosa que nasce no asfalto, porque ela diz mais que as bombas na Bósnia e tem mais eficácia que a maioria dos imbecis que ditam as normas por aí.&lt;br /&gt;A arte consiste nisso: nunca estar contente — já proclamou Jules Renard. Nesse bom caminho está a poética de Salomão, para quem a literatura é um combate altivo, uma obsessão pela interpretação do que é sagrado e profano em nossa condição. No epicentro de sua obra há lugar não só para o grito cortante, filosófico e severo, mas um espaço psicológico, espiritual e catártico, que nos permite, simbioticamente, fazer um denso juízo de valor de tudo que nos incomoda, com a perfeita conciliação dos opostos da vida. Aí reside a vitalidade de sua obra, que já atingiu um nível de maturidade e expressão, inserindo-se, sem favor algum, no rol dos bons poetas do Brasil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4843398825678420679-6344261992758995544?l=salomaosousa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://salomaosousa.blogspot.com/feeds/6344261992758995544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4843398825678420679&amp;postID=6344261992758995544' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/6344261992758995544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4843398825678420679/posts/default/6344261992758995544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://salomaosousa.blogspot.com/2007/03/potica-da-conscincia-e-do-combate.html' title='Ronaldo Cagiano'/><author><name>Salomão Sousa</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10761805823147763830</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_z43A-_lxMGE/SYmm_H3zAUI/AAAAAAAAARM/5NZEuAEoYoU/S220/Blog.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
